quinta-feira, 22 de novembro de 2012
O que falta
É bem patético. Mas quem expia pela minha irresponsabilidade ou indisposição é sempre o calor, ou a TV da sala que está no volume máximo,ou o dia que está pela metade e não permite grandes realizações. Mas,por favor, esse calor do inferno só me deixa com um único desejo : dormir com o ar condicionado na menor temperatura possível. Especialmente à tarde. Culpo a geografia,culpo a maldita proximidade com a linha do equador,culpo os raios perpendiculares que incidem aqui,culpo todos os fatores sociais,biológicos e seja lá de que área por diminuir minha "força de potência". Culpo também os dubladores da Nickelodeon por ter uma voz tão insuportável e estridente,que meu irmão insiste em ouvir no volume,sei lá,85, na sala.Logo lá. Culpo as horas por terem passado tão rápido ou tão devagar e me fazerem desistir dos meus planos.
É verdade que se essas coisas mínimas tivessem menos relevância e impacto sobre mim eu já teria feito muitas das coisas que ainda não fiz. Mas tudo seria bem mais simples se eu não tivesse essa voz tão infantil,que não desperta nem admiração nem respeito - operadores de telemarketing já perguntaram: 'o seu papai ou a sua mamãe estão em casa?' - ,pelo contrário.Acham que eu tenho uns 7 anos ou que sou uma mimada,ou sei lá.Além disso, tudo seria bem melhor se a temperatura da terra fosse sempre agradável,se as pessoas não falassem gritando,se os automóveis não fossem tão barulhentos e tão luminosos - Como são insuportáveis aquelas luzes ! - e tão fedorentos com aqueles milhares de gases tóxicos que adoecem crianças e idosos e jovens até. Ah,se houvesse menos carros ! Ah,se a cidade fosse toda bem decorada,de uma arquitetura e planejamento urbano impecáveis. Ah,se a gente soubesse ao menos colocar lixo no lixo, dar bons dias sem sussurrar. Ah, se tocasse menos pagode,funk,forró ou rock deprê por aí. Ah, se a gente se preocupasse com os velhinhos e com o futuro das crianças. Mas a gente só se preocupa com o que nos diz respeito,por isso não dá pra confiar em ninguém. E até que isso mude,o melhor é virar a cara para não ver o garoto do semáforo com os olhos esbugalhados de tanta droga, e não oferecer um pouco do volumoso banquete de nossas casas para aqueles que descobrem o seu cardápio no lixo.
"Life isn't about waiting for the storm to pass,It's about learning to dance in the rain !"
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Cansados
( Olhai os lírios do campo )
Ainda busco compreender essa doença crônica de que somos todos vítimas,mas sinto que já nascemos com a noção de vida certamente perdida,como se por trás de todas nossas vontades tolas,nossas exigências sociais e deveres sociais houvesse apenas um risquinho fraco da nossa essência.Não que o homem nasce bom,mas a sociedade o corrompe,mas como se o homem já não soubesse procurar com as suas próprias mãos quem ele é. Nós queremos ser algo,mas dificilmente conseguimos ser relevantes para alguém. É o enxame cheio de abelhas que não se olham umas para as outras,porém, se uma abelha é retirada do enxame,todas as outras ficam raivosas- como se a presença de tal abelha só fosse percebida quando ela foi tirada à força do enxame- .E com que facilidade me seduzem as vitrines,não consigo resistir a tantas coisas lindas,bem feitas,criativas e pago sem hesitar altos valores por essas coisinhas simplórias.E depois eu lembro,com vergonha,que o preço de um vestido meu é metade do salário de alguém,e então tento evitar a culpa,mea maxima culpa, que é desconfortável,dói muito.E eu tento anular essas sensações aqui dentro,talvez porque sejam profundas demais,talvez porque eu seja culpada demais.Talvez porque eu desaprendi a lidar com o que eu faço de errado.Tudo tem solução.Tudo é muito fácil,só não é pra quem tem a vida difícil.Talvez eu não devesse pensar no quanto odeio ter que aprender certas coisas,talvez eu só devesse engolir todos os excretas sociais: a má qualidade de vida (lamento acreditar que dificilmente todos vão abandonar seus carros para andar de bike nas nossas utópicas ciclovias);assassinatos diários;o alcoolismo não comum,mas indispensável;o ceticismo para o quer que seja; o estímulo à desconfiança; as desapropriação de terras; o desrespeito às culturas; o trabalho mal feito de profissionais frustrados; a falta de integridade do homem; a sociedade líquida pouco preocupada com a sua ou a minha vida. Sinto que esta sociedade está no estado de dormência,como se ainda não tivesse despertado para o espetáculo que chamamos "vida",e talvez quando for notada a grandeza do seu sentido,ela cause no mínimo um arrepio sempre que pronunciada.
" Religion that God,our Father,accepts as pure and faultless is this: to look after orphans and widows in their distress and to keep oneself from being polluted by the world".
" o mata borrão absorve tudo e no fim da vida acaba confundindo as coisas por que passou ... O mata borrão parece gente !" ( Mário Quintana)
sábado, 4 de agosto de 2012
Por referências mais confiáveis
Tenho um certo temor em envelhecer e manter-me no passado,porque conheço gente que enche o peito para dizer que ainda escreve com aquelas máquinas de escrever e não usa um computador porque não e pronto,e também conheço uns que vivem a amaldiçoar nossos jovens, porque,segundo dizem, jovem,antigamente, respeitava e obedecia. Nosso país é indiscutivelmente atrasado em muitos aspectos,mas no que concerne ao atraso de ideias, somos especialistas. Enquanto em Londres satirizavam inteligentemente o trabalho mecânico e alienante na época da Primeira Revolução Industrial, por aqui o conceito de trabalho do século 19 predomina mesmo depois de quase 200 anos.Ainda são muitos os que acreditam na "mentira secular de trabalhar para viver e na rotina angustiante de viver para trabalhar".
Ao contrário dos pessimistas, tenho grandes esperanças nessa nova geração. O problema,como já afirmou Lucy Van Pelt, é a geração passada - "cada geração tem de ser capaz de culpar a geração anterior por seus problemas..."- . Prova maior disso são os nossos cargos administrativos ocupados quase que inteiramente por corruptos e incompetentes.Sem ética, sem conhecimento, sem preparo e sem opinião: nós jovens somos obrigados a respeitar essas pessoas, pelo simples fato de serem mais velhas.
E eu não consigo lidar com certos tipos de adultos sem pensar no quanto são incompetentes. Não dá para ter respeito por certos tipos.Seria ousadia demais dizer que conheço alguns jovens mais maduros que muitos cinquentões ? E batendo mais uma vez na tecla das palmadinhas proibidas, me espantei com o número de adultos que sentiriam falta de usar esse castigo com seus filhos, como se isso fosse essencial numa educação. Me parece mais um sinal de gente que foi criada para ficar caladinha e que nunca entendeu o que é uma conversa,em baixos tons preferencialmente. - Já falei o quanto odeio que gritem nos meus ouvidos ? Já repararam que quem não sabe convencer precisa gritar para se expressar ( muitas vezes por grunhidos ) ? Já perceberam como os nossos pais de família fazem questão de manisfestar sua fúria diante de um malfeito do filho,sem ao menos dizer por que algo é errado? Já viram como muitas pessoas adoram uma verdade absoluta ? -
Você não tem boas leituras: não deveria ser funcionário público. Você quer ser professor de universidades federais só para poder faltar por meses: é uma ameaça para o progresso ético e econômico. Você é semi-analfabeto : deveria receber atenção especial na escola, não ser elegido como deputado federal. Você deixa seus filhos adolescentes beberem e ainda chama os seus amiguinhos porque assim acha que eles aprendem esse tipo de vida dentro de casa e não nas ruas: você não deveria ser pai.
Mas ainda tem uns muito mal- instruídos,talvez com boas intenções, que mandam nossas crianças,nossos jovens, não responderem para os mais velhos, obedecerem,ficarem calados,quietinhos,aceitarem torturas mascaradas porque só dessa forma se ganha dinheiro.E assim,ideias criativas são bloqueadas,assim sonhos inigualáveis são reduzidos ao desejo de ter um carro novo,um apartamento bem localizado,um salário relativamente bom.Assim, nossos jovens revolucionários e sedentos por justiça vão perdendo o antigo compromisso com seus semelhantes,com seu povo. Queremos dinheiro,mas não somos educados para usá-lo de forma sábia - sabedoria ? por aqui ninguém se importa com isso -.
E o apelo só poderia ser para os jovens, porque ao entrar na vida adulta, há uma grande pressão daqueles que têm uma visão pequeninha,que tudo o que almejam é dinheiro para pagar as despesas- coisa que é muito importante,mas não é tudo-, ostentar seus bens, impor suas opiniões - digo impor, não oferecer - e que separam para nós,jovens,um futuro já conquistado, uma realidade imutável, um apelo grande para que nos convertamos a suas vidas de sonhos abandonados e valores fugazes.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Sejamos bons jardineiros
- Imagine - murmurou ela - que essa família possui em sua casa um jardim... Todos os sábados,o chefe corta a grama. Na época apropriada,poda as árvores, de vez em quando borrifa remédios nas plantas para matar parasitas... O jardim é lindo. Os membros da família o fotografam em cores. No verão comem e bebem à simbra de suas àrvores... No entanto, jamais comungam com o jardim, não têm intimidade com ele, não meditam sobre suas flores, sua grama, sua terra... Só pensam em comprar mais coisas para enfeitá-lo e torná-lo mais confortável: bancos,mesas, uma piscina pneumática, estatuetas de gesso... E ojardim continua incompreendido, um estranho... Não é horrível ?
Pablo soltou uma risada que chocou um pouco a japonesinha.Depois,baixando a voz à surdina oficial daquelas conversações, disse :
- Compreendo o que você quer dizer. Mas o homem americano, minha amiga, em geral tem a visão do engenheiro. E é essa visão que predomina no Ocidente. Queremos domesticar a natureza, domesticá-la,enfim,em nosso benefício.
O senhor embaixador
sábado, 7 de julho de 2012
Tédio ? Mas como ?
E sinceramente , não sei em que século essa galera vive.Como,como não ter o que fazer com tantos tablets , smartphones , revistas,livros ? O meu maior desafio durante as aulas era me controlar para não ler todas as notícias possíveis pelo meu Ipod e agora sim eu posso,posso ler todas as revistas que eu tanto amo , tenho a Super,tenho a Folha,tenho a Veja , tenho a BBC ,tenho twitter , tenho Instagram , tenho ... tenho o mundo.Tudo sem ter que esperar o Windows iniciar.
E estou aprendendo italiano e francês simultaneamente ( já que um curso não vai ser possível agora ),e pesquiso tudo o quero,inclusive coisas bem idiotas , vejo fotos maravilhosas e descubro ideias mais que inovadoras,discuto questões cara-a-cara com com os amigos pelo facetime,inteiramente grátis,grátis ! Desculpa , eu não sei mais o que é tédio .
De repente podem pensar - mas Laís,não tenho grana para isso - As condições são suas,dependendo delas faça um esforço,vale muito a pena.Entre um Iphone e um Itouch 4,o segundo é mais vantajoso,pois ele só não faz o que qualquer celular do século 20 faz,gasta menos bateria já que será menos utilizado e sai bem mais em conta.Há muitos aplicativos para estabelecer comunicação,ligações com uso de chips é a mais antiga e mais usada,nem por isso é a melhor.
Quando ensinei para minha mãe como facetime funcionava,ela só conseguia dizer : "mas menina,isso não é possível !",e logo depois o Steve Jobs morreu e percebi que ele se tornou o amor secreto dela .Não parava de dizer que ele era um gênio e havia revolucionado a vida dela com o Iphone.Não posso discordar.Ela é uma senhora muito conservadora,mas admirou o trabalho do cara envolvido com alucinógenos e bastante estranho e arrogante.Também não comprei a biografia dele para ela,não quis acabar com o encanto.
E eu até dizia que um Ipad era dispensável se você tivesse um Iphone,mas como estava errada,como estava ! Eu não reconhecia o quão fundamental esse aparelho pode ser.Ler,assistir filmes,digitar,é tudo muito melhor com ele e com o tamanho ideal que ele tem.Se pensa em comprar um desses e está apertado,vá fundo e veja se consegue dar um jeitinho,vale a grana.Não concebo mais viagens sem estes aparelhinhos revolucionários.Andar pelo Rio com o Iphone foi muito mais fácil ,não precisei de mapas nem ficar perguntando indicações para ninguém,você não vai alugar um carro para andar em cidades assim,o Iphone é muito útil para andar de ônibus,não tive nenhuma complicação,uma prova de que esses aparelhos podem ser complementos nas viagens tanto para a programação,para descobrir lugares menos óbvios e convencionais,quanto para localização.E claro,para fotos,que saem bem mais bonitas com os aplicativos para fotografia e são diretamente postados nas redes sociais.
Quando tinha um Nano de 1 Giga ( e ainda tem gente que duvida do avanço ) , meus pais já se encantavam com aquele teclado magnético macio e deslizante.Depois foi o novo Nano,que parecia caber tudo.E agora que estamos bem à frente,já tem gente que solta a língua maldita pra dizer que faz mal para vida das pessoas,que a tendência é transpor a vida para o aparelho.
Gênio,o problema não é a tecnologia,mas gente sem visão,sem controle,que sempre transforma seus gostos em vícios.Aposto no compartilhamento de informações desses aparelhos,na interatividade,na praticidade,na simplicidade ( ponto crucial e diferencial da Apple ),na descoberta de gostos,no refinamento dos conteúdos transmitidos.
Não cabe aqui a já ultrapassada discussão sobre e-books.Prefiro meus livros juntinho de mim,de modo mais literário e romântico,mas e-book não é coisa do demo não,calma lá.Ainda avalio se Ipads seriam bem utilizados nas escolas substituindo aqueles livros pesadíssimos.O fato é que deve haver uma solução pras dores nas minhas costas no fim do semestre em função da mochila pesada e do tanto de horas que passo sentada.E também não cabe aqui a tal da exclusão social,seria preciso um estudo aprofundado.Mas para mim esses aparelhos vieram pra ajudar , cabe a mim a sabedoria de administrá-los como um aliado à vida.Os poetas vão ser contra,mas tenho certeza que o spleen e o cansaço da vida só impressionam quando estão organizados em versos e longe da nossa realidade.
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Minhas variações
No livro é feita a distinção entre duas feiras em que todas as coisas do mundo estão guardadas : a Feira das Utilidades e a Feira da Fruição.Na Feira das utilidades estão tudo que há de mais útil e "essencial": facas,computadores,canetas,médicos,engenheiros,pedreiros,inteligência - ferramenta para resolver problemas - e o corpo - ferramenta pra se obter diversas sensações.Ou seja,"a Feira das Utilidades não nos dá felicidade.Elas só nos dá felicidade com a possibilidade de chegar ao objeto de fruição.
Na minha feira de utilidades estaria a escola ( que ainda peca em sua utilidade por passar anos me dando as mesma aulas de sintaxe e também ao me dar aulas de trigonometria,que cá entre nós,é umas da coisas mais inúteis e insuportáveis já existentes),livros da escola,internet,maquiagem e enfim,vocês já entenderam.
Já na minha Feira de Fruição estariam as tortas de limão,ler um bom livro com calma,música,shows,flores,domingo chuvoso,vôlei,corrida,dança,fotografias,pizza da Vignoli,centro histórico,conversas,abraços,meu cabelo cheiroso,aulas de literatura e artes com meus professores maravilhosos,casquinha de caranguejo,viagens,museus,praias,fondue,árvores,Jardim Botânico do Rio,Gramado no Natal,Lençóis Maranhenses em julho, show de humor na Beira Mar em Fortaleza,livraria cultura em SP , montanhas-russas na Disney , Disney , acampamento NR, filmes bem feitos (de preferência com atores atraentes,fazer o que ....) , minhas amigas , fazer planos , ter tempo de sobra,mimar mamãe,mimar meu irmão,mimar vovó,frio na barriga,dormir equilibradamente,tapioca com doce de leite,alfajores Havanna,pêra cortadinha,ursos de pelúcia, yorkshires , Natal , família , férias , tempo , férias , família , férias ...
" vida é uma fonte de alegria,e nosso pecado original é que temos tido muito pouca alegria ".
É isso.Acho que falei demais do livro,mas ainda tem muito o que ler.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Humanistas e calculistas

O fato é que li numa importante revista que o governo deveria abolir as aulas de filosofia,sociologia e artes da educação pública,pra que dessa forma se pudesse explorar de modo mais eficaz as matérias mais importantes,como Português,Ciências e Matemática.Decepcionante,porque quem disse isso é bastante instruído pra saber que não devemos privar nenhum ser do conhecimento.O argumento é que alunos de melhores condições sociais podiam se dar ao luxo de aprender quantas línguas quisessem e matérias menos relevantes que essas três.Não é nem um pouco fácil garantir um estudo igualitário,mas como uma educação pode ser de qualidade sem que seus alunos não tenham uma noção do que é arte ? Como exigir ética de milhares de adultos no futuro se estes foram,no passado,crianças que nunca tiveram uma aula de filosofia ? Uns serão mais civilizados que outros ,isso é igualdade ? Pensei em algo como oficinas de reforço nas escolas públicas.Mas isso é ilusão,como muitos calculistas irão dizer.
Não ignoro a extrema relevância das ciências exatas,mas acredito,assim como Erico Verissimo,que devemos dar um sentido humano a tudo o que fazemos.Convivo com muitas pessoas calculistas e não é fácil me acostumar à falta de tato e insensibilidade.Algumas precisam passar pela cadeira do ITA de reintegração social,garanto.Sei também que precisamos abandonar as idealizações e aprender a sermos mais práticos.Sei que construções são importantes,sei que muita coisa da área de humanas é pura balela e que quem vive de teoria não vive.Também amo a tecnologia,amo a busca,amo Arquitetura refinada e de bom gosto (há algo mais humano e calculista ao mesmo tempo que Arquitetura ? ),mas detesto ter que aprender a apertar parafuso,odeio o mecanismo e odeio a indiferença desses calculistas na matéria da alma.E acontece que o que eles chamam de ideologismo eu chamo de propósito.
As matérias de humanas são grandes impulsionadoras da reflexão.Tanto são que foram proibidas na época da Ditadura as matérias de Sociologia,Redação,Filosofia e o estudo da língua Portuguesa foi restrito às análises sintáticas.Portanto,é evidente que não se pode privar ninguém do estudo destas matérias,já que elas ensinam,de certa forma,a pensar,e claro,a conhecer.Mas as ciências têm notório papel,pois não se vive só de cultura e análises comportamentais.É fundamental desenvolver a saúde (e a socialização da medicina),possibilitar o transporte e diminuir distâncias geográficas e entender os fenômenos naturais para se obter vida digna.
Então,ficamos com Incidente em Antares mais uma vez :
(...) - O ensaio me pareceu muito bem craniado.Só notei que estás demasiadamente fascinado pela tecnologia.Daí a aceitar sem reservas a tecnocracia é um passo muito curto.
- E que mal há nisso,num país em processo de desenvolvimento como o nosso ? O Brasil precisa mais de cientistas e técnicos do que de helenistas,latinistas e estetas...
- De acordo até certo ponto... Mas deixa também um lugarzinho na tua Sociedade Nova para os humanistas.A filosofia não é tão inútil quanto parece.E o homem necessita de música,de poesia e -que diabo ! - precisa também aprender a usar o lazer que um dia a ciência,ajudada pela técnica,lhe há de proporcionar.Em suma,a técnica fornece os meios.O humanismo nos orienta quanto aos fins.E não concebo humanismo sem ciência.
Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho.Lemos e escrevemos poesia porque somos humanos.A raça humana está repleta de paixão.Medicina,advocacia,administração e engenharia são objetivos nobres e necessários pra manter-se vivo.Mas a poesia,beleza,romance,amor...é p vivemos - Sociedade dos poetas morto
quinta-feira, 15 de março de 2012
Não violência e sabedoria oriental
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Algo sobre precisar querer

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Aprendizes
Como não canso de querer, resolvi dar aulas de inglês, para tentar arrecadar algum dinheiro para um possível intercâmbio no começo do ano passado. O destino era Inglaterra e os alunos seriam os amigos do meu irmão, pestes que com certeza necessitavam de auxílio com a matéria .Acertei com eles e fiz a um preço muitíssimo bom,porque apesar de que as mães dos meus alunos sejam conhecidas e mostrem algum respeito por mim,é difícil dar tanta moral para um pirralha como eu.Enfim,assim sucedeu: eram oito alunos no total,aulas aos domingos (por preferência deles),aqui em casa.
No começo,tudo eram rosas.Eu realmente me animava por dar aulas e eles gostavam,se regozijavam por estar juntos e por responder às minhas perguntas.Mas como já se é bem sabido,crianças não fáceis.Na minha posição de teacher (rs),gostava de ficar analisando um por um,traçando perfis.E assim era,tinha a sabe-tudo,não que ela soubesse muito de inglês,mas era a mais aplicada e com uma memória invejável,que estava sempre batendo palminhas pelos seus acertos e se orgulhando dela mesma.Ela também gostava de me irritar querendo ser tão certinha a ponto de perguntar num dos meus momentos de estresse: “ Teacher,por que você está ficando tão vermelha ?” Advinha só o porquê.
Mas o que mais me cansava eram os meninos,para variar.Estavam sempre brincando,falando alto e impacientes ,querendo que a aula acabasse para que fossem jogar bola.E o meu irmão,que belo exemplo,fazia o favor de ser o mais perturbador de todos.Se eu pedia para que cada um repetisse uma palavra na sua devida vez,ele falava junto com outro aluno,para que quando chegasse a vez dele ele pudesse falar : Mas eu já “reapiti” .Estava sempre a bagunçar a mesa,a falar alto (chego a desconfiar que ele carrega um microfone dentro de si) e era o terror das meninas,morriam de medo de errar a pronúncia porque ele iria zombar.Amo muito ele,mas receio que ele vá se tornar um valetão,desses que tocam o terror.Porque é um bruto,o meu irmãozinho.
E tinha uma aluna muito fofinha,a que mais tinha medo do meu irmão.Ela nunca queria pronunciar nenhuma palavra e quando eu dirigia a palavra a ela,fingia que não ouvia.Era engraçado porque ela passava o tempo todo desejando que a aula acabasse,mas sempre me perguntava se não iria ter homework,quando seria a próxima prova e foi a primeira a me pedir para ter aulas nas férias.
São muitos alunos,para mim pelo menos.Enquanto eu esperava que os pais deles dissessem para a minha mãe algo do tipo: “Sua filha é excelente,porque não a manda agora para a Inglaterra ?”O que eles diziam de verdade era: “ O bom é que ela aprende também” Ahh... E ainda por cima esses alunos inventavam de faltar,todos juntos,depois de eu ter preparado a aula.
O que se passa é que me sinto como eles,meus alunos.Às vezes fico a pensar que eles ainda vão ter que aprender muita coisa para saberem o básico.Eles ainda vão perceber que não sabiam nada,mas que só tempo e prática ensinam.Sinto que sei muito pouco.Sinto que isso aqui é menos que o começo.Sinto que eu não entendo o que os outros falam.Sinto que preciso decidir o que fazer dessa vida,que rumo tomar - que curso escolher – Não saber o que fazer me aflinge e muito.
Me ocupei nessas férias pesquisando profissões,ou aquelas que me agradam.Aprendi muito pouco.O que me acrescentaram foi que devo seguir a área biológica,segundo um teste,sendo que depois de fazer um outro teste descubro que meu resultado foi sinal amarelo para medicina,”você precisa saber mais sobre a profissão” (sobre a profissão eu sei muito,garanto,só não sei passar no vestibular,ainda).Depois leio um pouco sobre Relações Internacionais,faço um teste e advinha: Sinal amarelo.Vocês sabem do que eu preciso saber.Por último faço o teste para ver se levo jeito para Direito e guess what: “O que você está esperando para começar o curso ? ” Ah...sei lá,ter idade,passar no vestibular,talvez.Parece estar estampado Direito na minha cara e eu até gosto,digo,gosto muito.Acontece que somos jovens decidindo o resto de nossas vidas.E pensar que eu devo escolher isto já,tendo tanta coisa para aprender sobre os meus gostos,sobre a vida,sobre mim...