sábado, 4 de agosto de 2012

Por referências mais confiáveis


Tenho um certo temor em envelhecer e manter-me no passado,porque conheço gente que enche o peito para dizer que ainda escreve com aquelas máquinas de escrever e não usa um computador porque não e pronto,e também conheço uns que vivem a amaldiçoar nossos jovens, porque,segundo dizem, jovem,antigamente, respeitava e obedecia. Nosso país é indiscutivelmente atrasado em muitos aspectos,mas no que concerne ao atraso de ideias, somos especialistas. Enquanto em Londres satirizavam inteligentemente o trabalho mecânico e alienante na época da Primeira Revolução Industrial, por aqui o conceito de trabalho do século 19 predomina mesmo depois de quase 200 anos.Ainda são muitos os que acreditam na "mentira secular de trabalhar para viver e na rotina angustiante de viver para trabalhar".

Ao contrário dos pessimistas, tenho grandes esperanças nessa nova geração. O problema,como já afirmou Lucy Van Pelt, é a geração passada - "cada geração tem de ser capaz de culpar a geração anterior por seus problemas..."- . Prova maior disso são os nossos cargos administrativos ocupados quase que inteiramente por corruptos e incompetentes.Sem ética, sem conhecimento, sem preparo e sem opinião: nós jovens somos obrigados a respeitar essas pessoas, pelo simples fato de serem mais velhas.

E eu não consigo lidar com certos tipos de adultos sem pensar no quanto são incompetentes. Não dá para ter respeito por certos tipos.Seria ousadia demais dizer que conheço alguns jovens mais maduros que muitos cinquentões ? E batendo mais uma vez na tecla das palmadinhas proibidas, me espantei com o número de adultos que sentiriam falta de usar esse castigo com seus filhos, como se isso fosse essencial numa educação. Me parece mais um sinal de gente que foi criada para ficar caladinha e que nunca entendeu o que é uma conversa,em baixos tons preferencialmente. - Já falei o quanto odeio que gritem nos meus ouvidos ? Já repararam que quem não sabe convencer precisa gritar para se expressar ( muitas vezes por grunhidos ) ? Já perceberam como os nossos pais de família fazem questão de manisfestar sua fúria diante de um malfeito do filho,sem ao menos dizer por que algo é errado? Já viram como muitas pessoas adoram uma verdade absoluta ? -

Você não tem boas leituras: não deveria ser funcionário público. Você quer ser professor de universidades federais só para poder faltar por meses: é uma ameaça para o progresso ético e econômico. Você é semi-analfabeto : deveria receber atenção especial na escola, não ser elegido como deputado federal. Você deixa seus filhos adolescentes beberem e ainda chama os seus amiguinhos porque assim acha que eles aprendem esse tipo de vida dentro de casa e não nas ruas: você não deveria ser pai.

Mas ainda tem uns muito mal- instruídos,talvez com boas intenções, que mandam nossas crianças,nossos jovens, não responderem para os mais velhos, obedecerem,ficarem calados,quietinhos,aceitarem torturas mascaradas porque só dessa forma se ganha dinheiro.E assim,ideias criativas são bloqueadas,assim sonhos inigualáveis são reduzidos ao desejo de ter um carro novo,um apartamento bem localizado,um salário relativamente bom.Assim, nossos jovens revolucionários e sedentos por justiça vão perdendo o antigo compromisso com seus semelhantes,com seu povo. Queremos dinheiro,mas não somos educados para usá-lo de forma sábia - sabedoria ? por aqui ninguém se importa com isso -.

E o apelo só poderia ser para os jovens, porque ao entrar na vida adulta, há uma grande pressão daqueles que têm uma visão pequeninha,que tudo o que almejam é dinheiro para pagar as despesas- coisa que é muito importante,mas não é tudo-, ostentar seus bens, impor suas opiniões - digo impor, não oferecer - e que separam para nós,jovens,um futuro já conquistado, uma realidade imutável, um apelo grande para que nos convertamos a suas vidas de sonhos abandonados e valores fugazes.

4 comentários:

Fran Carneiro disse...

Concordo com você. Conheço jovens muito mais maduros e inteligentes que muitos cinquentões. E, sinceramente, não gosto nadinha das pessoas que tornam a vida tão séria e tão sem graça quanto uma reunião de negócios, sei lá.

Teca T disse...

É como dizia minha avó esse mundo tá perdido...mas fazer o que né? é a vida,mas as vezes paro pra pensar e vejo que alguma coisas tem fundamento:hoje em dia não se usa dar palmada nos filhos mas tu já notou na quantidade de menininho marginal e meninhas oas 9,10,11 anos ai periguete e gravidas?se eu pensasse em meninos nessa idade já apanhava...hoje pode tudo, tá ai o problema, vejo gente falar assim:"eu faço mesmo, minha mãe não me bate..." é complicadoooo!

Curti muito o post!Beijocas!

Laís disse...

Olá, Teca, tudo bem ? Suponho que sua opinião diverge da minha, todo caso, acredito que o problema se encontra no membro atrofiado da nossa nação: a educação. É muito ulrrapassado e equivocado achar que palmada resolva algo. Agir eticamente depende da nossa capacidade de tolerar, e não há como ensinar tolerância do modo mais tipicamente intolerante: a violência. E mais, essas pessoas que apanham por castigo acabam não tendo a visão do quanto um comportamento pode estar errado. Basta assistir um capítulo da novela Gabriela para perceber que as palmadas levam a dois caminhos : o temor (principalmente das mulheres), que conduz à formação de adultos covardes , e à repetição da transgressão, já que o sentimento de culpa só dura a dor do castigo.Beijo.

Milena M. disse...

Laís, isso sempre me incomodou muito. Parece que é um conflito de gerações fixo, sabe? Vejo meu avô reclamar de tudo que a minha geração faz ou fez, sem ao menos se aprofundar. Reclama porque acha que internet não serve pra nada, reclama porque nos considera desrespeitosos. Coloca tudo no mesmo saco e idealiza a época dele. Infelizmente, acho que esse pensamento nostálgico e errado vai se perpetuar. Acho que essa mania de todo mundo ficar falando "quando eu era criança ouvia tal coisa, hoje as crianças ouvem essa porcaria". Aquele mimimi de "na minha época era Legião Urbana, hoje é Restart", sabe? Isso pra mim é só uma forma simplista de pensar. Você pega o pior da geração atual e o melhor da geração passada e cria uma comparação absurda. Nunca existiu Menudo, Rouge, Broz. Hoje não existe Vanguart, por exemplo.
Quando aos modelos de vida, engraçado, acabei de postar sobre isso. Não dou mais ouvidos a quem acha que sabe como aluém deve viver. Esses programas de vida perfeita, do filho que deu certo na vida, BLERGH!
Mais uma vez, post muito válido!
Beijo!

ps: Clarissa realmente não é muito Erico maduro. É um dos primeiros livros, se não me engano. Mas vale muito a pena. É lindo, sabe? É poesia em prosa. Vou anotar sua sugestão, mas antes preciso ler Incidente e te falar o que achei.