segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Aprendizes

Como não canso de querer, resolvi dar aulas de inglês, para tentar arrecadar algum dinheiro para um possível intercâmbio no começo do ano passado. O destino era Inglaterra e os alunos seriam os amigos do meu irmão, pestes que com certeza necessitavam de auxílio com a matéria .Acertei com eles e fiz a um preço muitíssimo bom,porque apesar de que as mães dos meus alunos sejam conhecidas e mostrem algum respeito por mim,é difícil dar tanta moral para um pirralha como eu.Enfim,assim sucedeu: eram oito alunos no total,aulas aos domingos (por preferência deles),aqui em casa.

No começo,tudo eram rosas.Eu realmente me animava por dar aulas e eles gostavam,se regozijavam por estar juntos e por responder às minhas perguntas.Mas como já se é bem sabido,crianças não fáceis.Na minha posição de teacher (rs),gostava de ficar analisando um por um,traçando perfis.E assim era,tinha a sabe-tudo,não que ela soubesse muito de inglês,mas era a mais aplicada e com uma memória invejável,que estava sempre batendo palminhas pelos seus acertos e se orgulhando dela mesma.Ela também gostava de me irritar querendo ser tão certinha a ponto de perguntar num dos meus momentos de estresse: “ Teacher,por que você está ficando tão vermelha ?” Advinha só o porquê.

Mas o que mais me cansava eram os meninos,para variar.Estavam sempre brincando,falando alto e impacientes ,querendo que a aula acabasse para que fossem jogar bola.E o meu irmão,que belo exemplo,fazia o favor de ser o mais perturbador de todos.Se eu pedia para que cada um repetisse uma palavra na sua devida vez,ele falava junto com outro aluno,para que quando chegasse a vez dele ele pudesse falar : Mas eu já “reapiti” .Estava sempre a bagunçar a mesa,a falar alto (chego a desconfiar que ele carrega um microfone dentro de si) e era o terror das meninas,morriam de medo de errar a pronúncia porque ele iria zombar.Amo muito ele,mas receio que ele vá se tornar um valetão,desses que tocam o terror.Porque é um bruto,o meu irmãozinho.

E tinha uma aluna muito fofinha,a que mais tinha medo do meu irmão.Ela nunca queria pronunciar nenhuma palavra e quando eu dirigia a palavra a ela,fingia que não ouvia.Era engraçado porque ela passava o tempo todo desejando que a aula acabasse,mas sempre me perguntava se não iria ter homework,quando seria a próxima prova e foi a primeira a me pedir para ter aulas nas férias.

São muitos alunos,para mim pelo menos.Enquanto eu esperava que os pais deles dissessem para a minha mãe algo do tipo: “Sua filha é excelente,porque não a manda agora para a Inglaterra ?”O que eles diziam de verdade era: “ O bom é que ela aprende também” Ahh... E ainda por cima esses alunos inventavam de faltar,todos juntos,depois de eu ter preparado a aula.

O que se passa é que me sinto como eles,meus alunos.Às vezes fico a pensar que eles ainda vão ter que aprender muita coisa para saberem o básico.Eles ainda vão perceber que não sabiam nada,mas que só tempo e prática ensinam.Sinto que sei muito pouco.Sinto que isso aqui é menos que o começo.Sinto que eu não entendo o que os outros falam.Sinto que preciso decidir o que fazer dessa vida,que rumo tomar - que curso escolher – Não saber o que fazer me aflinge e muito.

Me ocupei nessas férias pesquisando profissões,ou aquelas que me agradam.Aprendi muito pouco.O que me acrescentaram foi que devo seguir a área biológica,segundo um teste,sendo que depois de fazer um outro teste descubro que meu resultado foi sinal amarelo para medicina,”você precisa saber mais sobre a profissão” (sobre a profissão eu sei muito,garanto,só não sei passar no vestibular,ainda).Depois leio um pouco sobre Relações Internacionais,faço um teste e advinha: Sinal amarelo.Vocês sabem do que eu preciso saber.Por último faço o teste para ver se levo jeito para Direito e guess what: “O que você está esperando para começar o curso ? ” Ah...sei lá,ter idade,passar no vestibular,talvez.Parece estar estampado Direito na minha cara e eu até gosto,digo,gosto muito.Acontece que somos jovens decidindo o resto de nossas vidas.E pensar que eu devo escolher isto já,tendo tanta coisa para aprender sobre os meus gostos,sobre a vida,sobre mim...

5 comentários:

Ana Luísa disse...

Essa fase é difícil mesmo. Mas acho que ajuda um pouco se você pensar que você é muito nova, e que o que você escolher, não necessariamente terá que fazer a vida toda! Todos temos chance de voltar atrás, ou de acabar encontrando alguma outra paixão no meio do caminho, ;)

Lorena Rocco disse...

Concordo em genero numero e grau.
Estou na faculdade faz um ano e ainda não tenho certeza.
é uma decisão sua e unica, não leve em consideração a opinião de mais ninguem! é dificil, eu sei.

=*

Luana Natália disse...

No final, tenho certeza que tudo irá se acertar. Essa dúvida do que fazer é comum, todos a têm, até mesmo eu... e olha que agora que vou começar o Ensino Médio.
Ah, e MUITA boa sorte com o seu intercâmbio, espero que você o consiga logo. Sabe, eu também sou louca pra fazer um, mas ainda tenho de esperar 2 anos e meio, uma eternidade... mas enfim.
Beijos :)

Vanessa disse...

Olha, acho que você está no caminho certo para encontrar sua área profissional, pois é pesquisando e dando voltas e voltas que você chega ao lugar certo. Mas também acho que é muito cedo, sabe?

Milena M. disse...

Que corajosa você. Não teria saco pra dar aulas pra crianças pequenas.
Por essas e outras acho que você vai fazer a escolha certa na hora da carreira. É complicadíssimo, sei bem, mas no fim você descobre algo legal.
Vou falar que se você quiser, posso puxar bastante o lado de RI, porque além de amar o que faço, acho a sua cara. hahaha
Quando eu tava indo por terceiro ano, fiz um teste vocacional que acendeu a luz amarela pra Jornalismo, que era o que eu sempre quis. Surtei e tudo. No fim das contas foi bom, porque eu pude repensar tudo e pesquisar outras coisas, mas testes vocacionais não dizem tudo.
Se precisar de informações sobre RI, pode contar comigo.
Beijo, Laís!