sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Um retrato dos anos 2000-2010

Tendo em mente que as polêmicas atuais um dia rechearão livros de história,imagino que devo estar a par do que anda acontecendo esses tempos e dos fatos que caracterizam essa geração para responder aos meus herdeiros como era viver nessa época.É decepcionante quando pergunto à minha avó como era viver na Segunda Guerra,o que ela achava de Getúlio e como era o noticiário durante a Guerra Fria e ela simplesmente responde que não se importava com essas coisas,que era muito moça.Pois bem.

No Brasil,político era tido como ladrão e francamente política era uma coisa ultrapassada demais,que levaria horas sendo discutido o desgosto que causava.O meio ambiente "preocupava" a todos,mas nada era feito a respeito dele,nada sério,digo.No mundo,o terrorismo assombrava o ocidente enquanto que no oriente todos os tipos de terror eram cometidos e vivenciados pela população.Conflitos étnicos e religiosos abalavam a paz o tempo inteiro.

Desastres.Desastres ambientais,culturais e musicais.No Brasil,a febre pertubadora dos "coloridos" tomava conta de adolescentes e crianças(não a mim,sempre fui sensata).Chamavam de rock.No mundo,estrelas da Disney brilhavam e conquistavam a cabeça dos mesmos fãs dos coloridos,eram todos da mesma "família".Rap,funk,pop eram top nas rádios.

Liberdade em alta,se soubessem ao menos usá-la... homossexualismo e aborto ainda deixavam de ser polêmicas.O Brasil consegue Copa do Mundo e olimpíadas para sediar e o povo sente o orgulho do país.Culpa da propaganda ufanista e mentirosa que era disseminada à população,acreditava-se em "Brasil,a potência do futuro".Futuro que nunca chega,só pode.

Sociedade de dar pena.Uns tristes,deprimido e frios,outros efusivos,falsos e exibidos.A Terceira Guerra Mundial era espiritual.Entende-se porque todos apegavam-se firmemente aos materiais,eram fãs de coisas tolas e afogavam as mágoas frequentemente em vários copos de bebida.6 bilhões de pessoas,mas grande parte delas se sentia sozinha.

Temiam pelo futuro de suas crianças e por isso esperava-se que alguma organização tomasse alguma medida,que algum tipo de estudo fosse feito,que algum remédio milagroso tivesse sido criado.Mas o mundo percebeu que precisaria de apoio e que pra isso teria que fazer o que devia ter feito há muito tempo: se unir.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Unhappy birthday

É bizarro e estranho demais.Estou com catapora,sendo que já tive anos atrás.Os médicos que me consultaram nunca viram nenhum caso,mas joguei no goggle: "catapora duas vezes",disseram que é raro,mas acontece.Me senti menos uma aberração e vou voltar à rotina que seguia quando tive hepatite A,ano retrasado,na mesma época: dormir,estudar e assistir aos Simpsons.Já chorei por estar doente no dia do meu aniversário e ter que fazer segunda chamada das provas finais,mas o que mais entristece é não ir à estreia de Harry Potter e principalmente perder o aniversário de 15 anos da minha amiga.

Vou desmarcar meu aniversário com meus amigos e remarcar quando estiver melhor e mais bonita,haha.As provas do mês serão aplicadas aqui em casa,como quando eu tive hepatite.Lembro-me que quando a doença foi diagnosticada,eu nem ao menos sabia o que era e meu medo era que fosse hepatite B e eu pensava: "Senhor,acho que estou batendo na porta do céu".

Mas como tudo tem uma razão,eu vim analisando minha vida para achá-la.Suponho que tenha sido as várias vezes que disse que não queria nenhuma festa.Pois bem,meu pedido foi atendido e aqui estou eu,de pijama,comendo comidas saudáveis,rezando para que nenhuma bolha surja no meu rosto,prestes a completar 15 anos e comemorar sozinha e me arrependendo de não ter usado,com cuidado,as palavras e por não ter respeitado a dimensão de seus poderes.

P.S.: dia 15 de novembro,segunda,feriado,cantem,por favor,parabéns para mim telepaticamente.Ficarei feliz em saber que alguém pensa em mim,sem ter que fiscalizar o relógio,esperando que as horas e os minutos estejam iguais.

sábado, 16 de outubro de 2010

Viagens e lições

Ainda lembro bem a ansiedade de todos no aeroporto,era de madrugada e até mesmo o comissário de bordo levou sermão.Troca de assentos e antes da decolagem,contagem regressiva.Parecíamos crianças,e ficar sentados,parados,era coisa mais difícil de se fazer naquele momento,naquela inquietação mental."Chega logo",martelava nas nossas cabeças.Não precisava de pressa,ainda tínhamos muito,muito tempo até o nosso destino.

No city tour,fiquei sabendo que que Campos do Jordão é cidade mais elevada do país,que era muito procurada para a cura da tuberculose e que as casas,nos bairros nobres,têm nomes.Mais umas horinhas no ônibus,chegamos ao tão esperado local.Problemas com os quartos.Conclui que certos empecilhos na vida são superados à base de calma,e claro,persistência.

E quem diria,um axé me marcaria.Ainda nessa viagem,é engraçado,eu estava organizada.Incrível como temos que viajar para nos descobrir um pouco mais.Vão desculpando as orações na ordem inversa e a grande quantidade de vírgulas,é que as aulas de ortografia estão fazendo efeito.

Resolvi confessar,nessa minha viagem fiz coisas idiotas.Imitei montanhas russas,fiquei completamente suja de lama,fiz umas dancinhas bobas,tudo conforme o monitor do acampamento ensinava.Tive certeza de que em certos momentos da vida devo fazer o que não farei nunca mais.

Não me chamaria de insensível,mas os outros eram um tanto manteigas derretidas.Na despedida,abracei tanta gente de olhinhos vermelhos.Talvez minhas glândulas lacrimais tenham problemas,ou os outros percebiam o que o sono não me deixava ver: que aquilo tudo jamais voltaria.Tinha lareira,frio,gente chorando e a realidade esmagadora,eu devia chorar.

Lágrimas enxutas e como diria um dos garotos mais malucos que conheci,viraríamos biscoito no aeroporto,novamente.Olha só quem estava lá,em pleno domingo de eleições,Tiririca,o candidato dos milhões de votos.A política se tornou uma piada ainda mais engraçada,pensei.Encontrei também o Lars Grael,que só eu reconheci quando ele passou de muletas e à princípio,achei que era o irmão dele,Torben.Estava lá também a Mel Lisboa,que só eu reconheci,afinal,não é tão famosa,mas uma simpatia.

Um americano,vindo de Dallas-Texas,puxou conversa.Pelo o que disse,parecia muito sábio.Tinha um nome complicado,diferentemente de Bob,Tom,James.Deu uns conselhos,disse que,na minha tradução mediana,o pior erro para se cometer na vida é se casar com uma pessoa estúpida.Ele era divorciado,então sabe bem o que fala.Disse também que quando se é inteligente,não se teme nada.Na nossa idade ele não enxergava,mas isso não o impediu de conquistar seu desejo.Ele é advogado,mesmo tendo dislexia.

Dessa viagem só restou saudade,lembranças e aprendizagem.É difícil me concentrar nas provas sempre que as cenas dos momentos invadem a minha cabeça.As festas,as pessoas,as conversas,os momentos é tudo que eu vou levar.

Acampamento NR-Nosso Recanto,Sapucaí Mirim-MG 29/09 - 03/10 ♥

domingo, 26 de setembro de 2010

A garota brasileira

Depois de um cansativo dia na escola,ouvindo sermões e reclamações que nem sequer merecia ouvir,ela volta pra casa acompanhada,é claro,pois é perigoso.Na rua,carros de campanha política ,vendedores ambulantes e muito lixo.Suspira e enxuga mais uma gota de suor que cai no rosto.Sol escaldante,pra variar.

No sábado,saída com as amigas."Cinema mais uma vez?",é o jeito.Fila lotada,ingressos esgotados.Se não tem filme,tem conversa.Bandinhas novas,filmes de vampiro,quem ficou quem,ou algo do tipo,é sempre assim.No domingo,praia.O pai toma um chopp e ela vê o mar.Banhar nem pensar,a maré está imprópria pra banho,culpa do esgoto que cai no mar,dos prédios mais próximos.

Segunda tem aula,se põe logo a responder as tarefas.Quanta besteira,não precisa de metade do que aprende.Decoreba e assuntos que nem seus pais lembram mais,sistema ultrapassado,pensa.Na programação de domingo à noite,mulheres de biquini rebolando e ganhando bem.Por que ela ainda tem que acordar 6 da manhã e aguentar professores que evidentemente não querem estar ali? Rebolar é mais fácil,conclui.

Ela é apaixonada por romances,mas estes não se assemelham nem um pouco a sua vida.Os garotos não jogam uma pedrinha em sua janela tarde da noite enquanto seu pai dorme,não tem bailes,vestidos longos e smokings,ao invés disso tem festinhas de aniversário,beijo é a coisa mais banal e os garotos já perdem o senso antes mesmo do seu pai dormir.

A garota brasileira,longe de ser só "cheia de graça",sabe que os problemas do seu país estão diretamente ligados a ela e que eles afetam até mesmo seus desejos mais pessoais.Ela desconfia de franelinhas e se sente insegura com as pessoas que pedem trocados no trânsito.Sabe também que a mulher de biquini na TV faz sucesso porque a população não é muito bem educada e por isso aplaude a coisa mais boba que vê.A sujeira na rua,que fere a linda paisagem natural de seu país,é o resultado da falta de leis.A bebida,o beijo e coisas que vão além destes mostra que os adolescentes brasileiros aprendem as coisas experimentando,ao invés de conhecendo.E ela sabe,mais do que qualquer outra coisa,que não só estes,mas grande parte do problemas que enfrenta ou enfrentará,é culpa da política mais descarada e poderosa do mundo,aquela que ao mesmo tempo que destrói a vida de sua população,ganha o voto desta mesma nas próximas eleições.

sábado, 14 de agosto de 2010

Charlie Brown e o tal amor


De todas as criações de Charles M. Schulz, nenhuma foi tão marcante quanto a garotinha ruiva, símbolo-mor de todos os amores idílicos e nunca concretizados. Pobre Charlie Brown. Todos nós sentimos compaixão por ele, porque ele simboliza todas as nossas frustrações, inseguranças e fracassos na vida. O que dizer de alguém que não recebeu um cartão sequer no Dia dos Namorados, jamais conseguiu fazer voar uma pipa porque todas enganchavam em alguma árvore, nunca ganhou um jogo de beisebol e, principalmente, jamais teve coragem para falar com a garotinha ruiva e confessar o seu amor? E todos nós já tivemos um momento Charlie Brown em algum instante de nossas vidas. Porque a garotinha ruiva nada mais é do que a metáfora daquele amor idílico que perseguimos na juventude: aquele amor que jamais terá rugas ou saldo negativo no banco, que nunca pendurará calcinhas no chuveiro ou esquecerá de levantar a tampa do vaso sanitário, e que permanecerá para sempre imaculado e perfeito em nossos sonhos platônicos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Sempre esperando


É indiscutível para mim que a satisfação é inalcansável.Todos dizem que não existe perfeição,como satisfação e perfeição têm praticamente o mesmo valor,ambas são inatingíveis.Então não deveria ser surpresa quando alguém que tem a vida ganha põe tudo a perder.Eu que esperei pelas férias o semestre inteiro estou super cansada e quase morrendo de tédio,não é irônico?

Estamos numa eterna busca,cujo objetivo muda ao passo das nossas conquistas.OK.Existem momentos considerados perfeitos,mas bem que queríamos que durassem mais.Estamos sempre querendo algo e sempre há algo faltando.Estabilidade entendia,mas a instabilidade é insuportável.O que queremos afinal?

Me sinto à espera de alguma coisa.Não faço isso antes que aquilo aconteça.Só me sentirei completa depois disto.Simplesmente complicado.Talvez nada vá completar nossa outra metade,talvez as coisas só nos completam um terço,um quarto.Não importa,haverá sempre um espaço dentro de nós para ser preenchido.

P.S.:Talvez eu me complete depois que eu for à Europa,ao parque do Harry Potter em Orlando,passe umas férias no Hawaii,encontre os meus ídolos e conheça alguém que vive esperando pelas mesmas coisas que eu.

Mente durante as férias,dêm um desconto.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

O que estava faltando?

Talvez seja a desculpa dos intermináveis compromissos ou,até mesmo,a ideia de economizar tempo e se preparar para tantas coisas que nos impossibilita de fazer coisas mais espontâneas,mais gentis,mais verdadeiras,mais prazerosas,quero dizer,mais humanas.Mas as férias chegaram,não para todos,e digo que,ao contrário do que muitos especialistas pensam,é a época mais produtiva do ano.É verdade que o cérebro dá uma desacelerada,mas o coração ganha espaço e pulsa mais rápido do que nunca.

Passado um semestre,no qual gastamos a maior parte do tempo obedecendo rotinas,horários,exercendo atividades cansativas e chegando em casa exaustos,as férias vêm como um suspiro de alívio,e finalmente podemos pensar em assuntos importantes,que viviam sendo adiados por falta de tempo,falta de energia,falta de vontade,falta de dinheiro,falta de quase tudo na verdade.

Então,nessas férias(não só nessa),não negue um favor a um amigo,afinal,não custa tempo,não custa nada.Aproveite para fazer algo útil,aprenda.Faça boas leituras,reencontre um velho conhecido,convide e aceite convites.Aprimore o vocabulário e explore sua paciência.Abra a mente,reflita.Torne-se mais educado e sorria verdadeiramente.Faça o que gosta,crie,sinta.Enfim, seja mais humano.

sábado, 22 de maio de 2010

Vamos falar de Deus

Vamos falar de Deus, independente das tradições e normas da igreja,sem levar em conta as diferenças de cada religião e esquecer as descobertas da ciência.Vamos falar de Deus,de um jeito particular,o seu Deus que,embora seja o mesmo que o de tantos outros,é único para você.Vamos falar Dele,Aquele que mesmo você esquecendo nos seus dias,sabe que Ele sempre está do seu lado e que você O deve um mínimo de gratidão.

Vamos falar de Deus e deixar de lado nossa própria super valorização.Vamos descer do degrau mais alto e lembrar que há alguém maior do que nós.Vamos falar de Deus,de forma verdadeira,podendo mostrar nossa tamanha adoração.Vamos exagerar no agradecimento e enfatizar nossa admiração,afinal,é de Deus que nós vamos falar.

Vamos falar de Deus e esquecer nossas posses,nossas rixas,nossas exigências.Fingiremos que somos só nós e Ele.Vamos falar por horas,repondo as conversas que não tivemos com Ele durante algumas noites.Vamos voltar a ser o que somos e não nos fiscalizar em tudo que dizemos.Vamos transmitir o que sentimos por ele porque assim nossa fé contagia.Vamos falar de Deus e deixar outros assuntos,deveres e bobagens de lado.

Vamos falar de Deus,porque quando se trata da Sua palavra,todas as outras línguas são compreendidas,todas as religiões possuem algo em comum,todas as raças e culturas conseguem ser respeitadas.Vamos falar de Deus e finalmente perceber que só a Sua palavra soluciona os conflitos mundiais e que só assim podemos encontrar a grande busca da sociedade: A igualdade.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Felicidade,quanto custa?

Quando falamos de felicidade é quase imediato lembrar do ditado:Dinheiro não traz felicidade.Mas com toda essa correria,com toda essa dedicação e esforço que o mundo inteiro faz voltado ao dinheiro,como nós,seres modernos,ainda conseguimos acreditar que o dinheiro realmente não traz felicidade e que ela não se compra em nenhum lugar?

Relacionamos a felicidade ao dinheiro porque o que vemos é que quanto mais dinheiro,mais feliz você parece ser.As celebridades fortificam essa ideia,tentando mostrar o quanto suas vidas são boas e nos levam a achar que ser feliz é ser perfeito.

Convivemos com dois paradoxos enormes: De um lado músicas,poesias e contos que dizem que devemos buscar a nossa própria felicidade,e que esta vem,muitas vezes,através das coisas mais simples que temos.Do outro a sociedade e toda aquela história de concorrência,o crescimento do mercado e o quanto devemos estar qualificados para fazer parte dele.Nos damos o máximo para sermos os melhores profissionais,melhores em tudo e devemos sempre estar avançado e subindo na vida.E então o que antes era a busca pra se ter uma vida e uma família feliz,torna-se realização pessoal e a necessidade de se ter mais dinheiro.Mas continuamos afirmando que o que queremos é ser feliz,apesar de tudo que já conseguimos.

Mesmo com todos os motivos para desistir de tentar ser feliz,permanecemos em busca da felicidade e cremos firmemente nela,porque sabemos que é só isso que nós realmente precisamos e que sempre temos que acreditar em algo maior do que nós.

"Porque alguém vai me julgar
Se nessa vida eu só insisto
Em ser feliz,me apaixonar
E envelhecer com os meus amigos."
Scracho - faça valer