sexta-feira, 22 de junho de 2012

Minhas variações


Estou lendo Variações sobre o prazer,do Rubem Alves,e fora o fato de ter de esconder o título do livro pra que minha mãe não veja,a leitura está sendo muitíssimo saborosa.Saborosa porque,segundo as ideias do próprio autor e que o meu corpo chega a concordar,mata minha fome,me dá vida - ' a grande tristeza na vida humana,que começa na infância e continua até a morte ,é que ver e comer são operações diferentes " - O livro também  mostra como a civilização nega o prazer,na verdade sente que o prazer é algo errado,é inútil.E de fato,chamar alguém de inútil é uma sentença de morte porque nascemos para sermos úteis,devemos fazer algo útil.Mas nosso corpo clama por beleza,clama por boas sensações,que não tem utilidade,e executa funções,se torna uma ferramenta,antes de tudo para alcançar a felicidade e a satisfação do próprio corpo.Então o autor faz um convite: " que tal se o prazer,em todas suas variações,se tornar o âmago de sua vida ?"

No livro é feita a distinção entre duas feiras em que todas as coisas do mundo estão guardadas : a Feira das Utilidades e a Feira da Fruição.Na Feira das utilidades estão tudo que há de mais útil e "essencial": facas,computadores,canetas,médicos,engenheiros,pedreiros,inteligência - ferramenta para resolver problemas - e o corpo - ferramenta pra se obter diversas sensações.Ou seja,"a Feira das Utilidades não nos dá felicidade.Elas só nos dá felicidade com a possibilidade de chegar ao objeto de fruição.

Na minha feira de utilidades estaria a escola ( que ainda peca em sua utilidade por passar anos me dando as mesma aulas de sintaxe e também ao me dar aulas de trigonometria,que cá entre nós,é umas da coisas mais inúteis e insuportáveis já existentes),livros da escola,internet,maquiagem e enfim,vocês já entenderam.

Já na minha Feira de Fruição estariam as tortas de limão,ler um bom livro com calma,música,shows,flores,domingo chuvoso,vôlei,corrida,dança,fotografias,pizza da Vignoli,centro histórico,conversas,abraços,meu cabelo cheiroso,aulas de literatura e artes com meus professores maravilhosos,casquinha de caranguejo,viagens,museus,praias,fondue,árvores,Jardim Botânico do Rio,Gramado no Natal,Lençóis Maranhenses em julho, show de humor na Beira Mar em Fortaleza,livraria cultura em SP , montanhas-russas na Disney , Disney , acampamento NR, filmes bem feitos (de preferência com atores atraentes,fazer o que ....) , minhas amigas , fazer planos , ter tempo de sobra,mimar mamãe,mimar meu irmão,mimar vovó,frio na barriga,dormir equilibradamente,tapioca com doce de leite,alfajores Havanna,pêra cortadinha,ursos de pelúcia, yorkshires , Natal , família , férias , tempo , férias ,  família ,  férias  ...

" vida é uma fonte de alegria,e nosso pecado original é que temos tido muito pouca alegria ".

É  isso.Acho que falei demais do livro,mas ainda tem muito o que ler.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Humanistas e calculistas


Eu poderia começar venerando os humanistas,porque sei que nenhuma pessoa que tem um relacionamento tão bem sucedido com qualquer que seja a matéria de cálculo leria isso.Verdade ou não,posso dizer que quem se dá bem com números normalmente se enrola com as palavras e por isso tende a ridicularizar as matérias de humanas e línguas.Porque,segundo eles,são decorativas,sem mistério e desnecessárias.A pegunta frequente deles é : " pra quê eu vou querer saber disso ?"

A verdade é que eu nunca tomei um lado.Embora tenha certeza de que não pertenço ao mundo dos números e da objetividade,algumas coisa na área de humanas me faz sentir um grande ódio desses pseudo intelectuais,espertos e senhores da verdade.E é por isso também que eu ainda não decidi o que fazer da vida,mas isso fica para depois.

O fato é que li numa importante revista que o governo deveria abolir as aulas de filosofia,sociologia e artes da educação pública,pra que dessa forma se pudesse explorar de modo mais eficaz as matérias mais importantes,como Português,Ciências e Matemática.Decepcionante,porque quem disse isso é bastante instruído pra saber que não devemos privar nenhum ser do conhecimento.O argumento é que alunos de melhores condições sociais podiam se dar ao luxo de aprender quantas línguas quisessem e matérias menos relevantes que essas três.Não é nem um pouco fácil garantir um estudo igualitário,mas como uma educação pode ser de qualidade sem que seus alunos não tenham uma noção do que é arte ? Como exigir ética de milhares de adultos no futuro se estes foram,no passado,crianças que nunca tiveram uma aula de filosofia ?  Uns serão mais civilizados que outros ,isso é igualdade ? Pensei em algo como oficinas de reforço nas escolas públicas.Mas isso é ilusão,como muitos calculistas irão dizer.

Não ignoro a extrema relevância das ciências exatas,mas acredito,assim como Erico Verissimo,que devemos dar um sentido humano a tudo o que fazemos.Convivo com muitas pessoas calculistas e não é fácil me acostumar à falta de tato e insensibilidade.Algumas precisam passar pela cadeira do ITA de reintegração social,garanto.Sei também que precisamos abandonar as idealizações e aprender a sermos mais práticos.Sei que construções são importantes,sei que muita coisa da área de humanas é pura balela e que quem vive de teoria  não vive.Também amo a tecnologia,amo a busca,amo Arquitetura refinada e de bom gosto (há algo mais humano e calculista ao mesmo tempo que Arquitetura ? ),mas detesto ter que aprender a apertar parafuso,odeio o mecanismo e odeio a indiferença desses calculistas na matéria da alma.E acontece que o que eles chamam de ideologismo eu chamo de propósito.

As matérias de humanas são grandes impulsionadoras da reflexão.Tanto são que foram proibidas na época da Ditadura  as matérias de Sociologia,Redação,Filosofia e o estudo da língua Portuguesa foi restrito às análises sintáticas.Portanto,é evidente que não se pode privar ninguém do estudo destas matérias,já que elas ensinam,de certa forma,a pensar,e claro,a conhecer.Mas as ciências têm notório papel,pois não se vive só de cultura  e análises comportamentais.É fundamental desenvolver a saúde (e a socialização da medicina),possibilitar o transporte e diminuir distâncias geográficas e entender os fenômenos naturais para se obter vida digna.

Então,ficamos com Incidente em Antares mais uma vez :

(...) - O ensaio me pareceu muito bem craniado.Só notei que estás demasiadamente fascinado pela tecnologia.Daí a aceitar sem reservas a tecnocracia é um passo muito curto.
      - E que mal há nisso,num país em processo de desenvolvimento como o nosso ? O Brasil precisa  mais de cientistas e técnicos do que de helenistas,latinistas e estetas...
     - De acordo até certo ponto... Mas deixa também um lugarzinho na tua Sociedade Nova para os humanistas.A filosofia não é tão inútil quanto parece.E o homem necessita de música,de poesia e -que  diabo ! - precisa também aprender a usar o lazer que um dia a ciência,ajudada pela técnica,lhe há de proporcionar.Em suma,a técnica fornece os meios.O humanismo nos orienta quanto aos fins.E não concebo humanismo sem ciência.


Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho.Lemos e escrevemos poesia porque somos humanos.A raça humana está repleta de paixão.Medicina,advocacia,administração e engenharia são objetivos nobres e necessários pra manter-se vivo.Mas a poesia,beleza,romance,amor...é p vivemos - Sociedade dos poetas morto

quinta-feira, 15 de março de 2012

Não violência e sabedoria oriental

Lendo o texto "El poder de la no violencia" no meu livro de espanhol,que foi escrito pelo neto do Mahatma Gandhi e que fala sobre a habilidade dos pais na educação e punição,me lembrei de uma amiga minha,descendente de chineses e japoneses,que sempre que tirava uma nota na média chorava.Nós sempre dizíamos no jeitinho brasileiro de consolar: " Mas está na média,não é nota baixa" ,e ai mesmo que ela desabava.Mas houve um dia que ela explicou porque tanto choro,porque tanto drama (drama ao nosso ver).Disse que quando ela tirava uma nota assim,quem sofria era o pai dela,ele sentia que havia falhado.

Essa lição me tocou profundamente,porque temos o costume de não assumir responsabilidades,como brasileiros,como ocidentais,passamos a culpa,não nos preocupamos em ensinar,em fazer o melhor.Sou fã da filosofia oriental,porém ela me assusta em alguns aspectos (dizer o quê?).Uma vez,ainda num livro de espanhol,li que os orientais desconheciam a depressão,porque para eles a vida já é uma dor.Imagine ler algo assim na sexta série.Assusta ou não? Mas acho espetacular a vocação que os orientais têm para o conhecimento e a vontade de saber principalmente.Essa minha amiga,por exemplo,diz que não precisa estudar,que não se cobra muito (embora isso seja paradoxal com o que já disse sobre ela).Enquanto todos se matam de estudar nas muitas semanas de provas ela está se dedicando aos seus cães.Porém enquanto todos dormem durante as aulas ,ela está sempre questionando tudo e todos.Mais uma lição.

Então,como vi reaberta a discussão das pamaldinhas em crianças,que eu desde que tinha uns cinco anos já achava horrível e deselegante as mães das outras crianças baterem nelas,acho o texto abaixo bastante convincente.Palmada não ensina nada,os meus amigos de infância que mais apanhavam até hoje desobedecem com muita frequência.É como tratar escravos,que depois de "aprontar" iam para o tronco.Somos humanos,não bichos.Devemos aprender com o erro e não sofrer com o erro.Acho que é isso.E acho que criar uma lei para assegurar isso é o mesmo que chamar a nação de malcriada,de burros que não sabem educar.

O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi e fundador do MK Institute, contou a seguinte história sobre a vida sem violência, na forma da habilidade de seus pais, em uma palestra proferida em junho de 2002 na Universidade de Porto Rico.
Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais, na instituição que meu avô havia fundado, e que ficava a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul.
Vivíamos no interior, em meio aos canaviais, e não tínhamos vizinhos; por isso minhas irmãs e eu sempre ficávamos entusiasmados com possibilidade de ir até a cidade para visitar os amigos ou ir ao cinema.
Certo dia meu pai me pediu que o levasse até a cidade, onde participaria de uma conferência durante o dia todo. Eu fiquei radiante com esta oportunidade. Como íamos até a cidade, minha mãe me deu uma lista de coisas que precisava do supermercado e, como passaríamos o dia todo, meu pai me pediu que tratasse de alguns assuntos pendentes, como levar o carro à oficina. Quando me despedi de meu pai ele me disse:
"Nós nos encontraremos aqui, às 17 horas, e voltaremos para casa juntos."

Depois de cumprir todas as tarefas, fui até o cinema mais próximo. Distraí-me tanto com o filme (um filme duplo de John Wayne) que esqueci da hora. Quando me dei conta eram 17h30. Corri até a oficina, peguei o carro e apressei-me a buscar meu pai.

Eram quase 18 horas. Ele me perguntou ansioso:
"Por que chegou tão tarde?"
Eu me sentia mal pelo ocorrido, e não tive coragem de dizer que estava vendo um filme de John Wayne. Então, lhe disse que o carro não ficara pronto, e que tivera que esperar. O que eu não sabia era que ele já havia telefonado para a oficina. Ao perceber que eu estava mentindo, me disse:
"Algo não está certo no modo como o tenho criado, porque você não teve a coragem de me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado a você. Caminharei as 18 milhas até nossa casa para pensar sobre isso."
Assim, vestido em suas melhores roupas e calçando sapatos elegantes, começou a caminhar para casa pela estrada de terra sem iluminação.
Não pude deixá-lo sozinho... Guiei por 5 horas e meia atrás dele... Vendo meu pai sofrer por causa de uma mentira estúpida que eu havia dito.
Decidi ali mesmo que nunca mais mentiria.
Muitas vezes me lembro deste episódio e penso: "Se ele tivesse me castigado da maneira como nós castigamos nossos filhos, será que teria aprendido a lição?" Não, não creio. Teria sofrido o castigo e continuaria fazendo o mesmo. Mas esta ação não-violenta foi tão forte que ficou impressa na memória como se fosse ontem.

"Este é o poder da vida sem violência."

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Algo sobre precisar querer


"Eu creio que a senhora sonha talvez demais.Sonhará uns amores de romance,quase impossíveis ? Digo-lhe que faz mal,que é melhor,muito melhor contentar-se com a realidade; se ela não é tão brilhante quando os sonhos,tem pelo menos a vantagem de existir"
A mão e a luva,Machado de Assis

E bem que eu gostaria de me contentar com o que está na minha frente,mas o sabor não é o mesmo,na verdade isso tudo é tão insosso.Eu só quero o que já passou,e não voltará nem na mesma intensidade,nem parecido,nem de jeito nenhum.Eu só quero um futuro distante,e reduzi-lo em semanas.Eu só quero terminar isso e começar algo novo - E essa é uma obsessão minha,querer finalizar o mais rápido possível e começar pelo começo,mas um novo começo - E que se dane a tal da sociedade pós-moderna,que acredita apenas na finitude,eu infelizmente faço parte dela e já fui contaminada.E por falar em sociedade pós-moderna,de valores líquidos e de um mundo enfestado de turistas e quase nenhum peregrino ( o que importa para o peregrino é a busca,entrar em contato com o novo,fazer parte,enquanto o turista se importa apenas com a chegada e os prazeres),eu acredito que não é um caso perdido,não é verdade que reconhecer o problema é o passo mais importante ? O que há ? Os problemas do mundo me afetam profundamente,mas eu passo mais tempo desejando o momento em que esses problemas forem solucionados do que repetindo o que é óbvio.Eu prefiro me concentrar no remédio que na doença.Há uma certa esperança que me motiva e que torna esse aglomerado de confusões,males e dificuldades,que deve-se ressaltar são individuais e pertencentes ao mundo inteiro,menos sufocante.E,infelizmente,devo admitir que vou continuar sonhando com o mais difícil.Com um rapaz gentil,bonito,paciente,inteligente e extremamente apaixonado.Com ruas lindas,limpas e hamornicamente decoradas por onde eu possa passear e suspirar com tanta beleza.Com vizinhos que se ofereçam para me ajudar e que olhem para os lados enquanto caminham.Continuarei acreditando que daqui a pouco tempo estudantes mil vezes mais preparados e menos estressados estarão sendo formados.Que essa educação para defunto e esses caradirus que chamam de escolas estarão erradicados.Que eu vou poder viajar com maior facilidade e reencontrar aqueles que amo.Acredito,sobretudo,que algum dia,quando eu estiver verdadeiramente triste,pessoas olharão o meu rosto,peguntarão se há algo errado e vão,finalmente,ouvir.Sei que é difícil.Mas isso tudo é tão,tão pouco.

P.S.: imagem do filme Aladdin,no momento em que toca " A whole new world "

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Aprendizes

Como não canso de querer, resolvi dar aulas de inglês, para tentar arrecadar algum dinheiro para um possível intercâmbio no começo do ano passado. O destino era Inglaterra e os alunos seriam os amigos do meu irmão, pestes que com certeza necessitavam de auxílio com a matéria .Acertei com eles e fiz a um preço muitíssimo bom,porque apesar de que as mães dos meus alunos sejam conhecidas e mostrem algum respeito por mim,é difícil dar tanta moral para um pirralha como eu.Enfim,assim sucedeu: eram oito alunos no total,aulas aos domingos (por preferência deles),aqui em casa.

No começo,tudo eram rosas.Eu realmente me animava por dar aulas e eles gostavam,se regozijavam por estar juntos e por responder às minhas perguntas.Mas como já se é bem sabido,crianças não fáceis.Na minha posição de teacher (rs),gostava de ficar analisando um por um,traçando perfis.E assim era,tinha a sabe-tudo,não que ela soubesse muito de inglês,mas era a mais aplicada e com uma memória invejável,que estava sempre batendo palminhas pelos seus acertos e se orgulhando dela mesma.Ela também gostava de me irritar querendo ser tão certinha a ponto de perguntar num dos meus momentos de estresse: “ Teacher,por que você está ficando tão vermelha ?” Advinha só o porquê.

Mas o que mais me cansava eram os meninos,para variar.Estavam sempre brincando,falando alto e impacientes ,querendo que a aula acabasse para que fossem jogar bola.E o meu irmão,que belo exemplo,fazia o favor de ser o mais perturbador de todos.Se eu pedia para que cada um repetisse uma palavra na sua devida vez,ele falava junto com outro aluno,para que quando chegasse a vez dele ele pudesse falar : Mas eu já “reapiti” .Estava sempre a bagunçar a mesa,a falar alto (chego a desconfiar que ele carrega um microfone dentro de si) e era o terror das meninas,morriam de medo de errar a pronúncia porque ele iria zombar.Amo muito ele,mas receio que ele vá se tornar um valetão,desses que tocam o terror.Porque é um bruto,o meu irmãozinho.

E tinha uma aluna muito fofinha,a que mais tinha medo do meu irmão.Ela nunca queria pronunciar nenhuma palavra e quando eu dirigia a palavra a ela,fingia que não ouvia.Era engraçado porque ela passava o tempo todo desejando que a aula acabasse,mas sempre me perguntava se não iria ter homework,quando seria a próxima prova e foi a primeira a me pedir para ter aulas nas férias.

São muitos alunos,para mim pelo menos.Enquanto eu esperava que os pais deles dissessem para a minha mãe algo do tipo: “Sua filha é excelente,porque não a manda agora para a Inglaterra ?”O que eles diziam de verdade era: “ O bom é que ela aprende também” Ahh... E ainda por cima esses alunos inventavam de faltar,todos juntos,depois de eu ter preparado a aula.

O que se passa é que me sinto como eles,meus alunos.Às vezes fico a pensar que eles ainda vão ter que aprender muita coisa para saberem o básico.Eles ainda vão perceber que não sabiam nada,mas que só tempo e prática ensinam.Sinto que sei muito pouco.Sinto que isso aqui é menos que o começo.Sinto que eu não entendo o que os outros falam.Sinto que preciso decidir o que fazer dessa vida,que rumo tomar - que curso escolher – Não saber o que fazer me aflinge e muito.

Me ocupei nessas férias pesquisando profissões,ou aquelas que me agradam.Aprendi muito pouco.O que me acrescentaram foi que devo seguir a área biológica,segundo um teste,sendo que depois de fazer um outro teste descubro que meu resultado foi sinal amarelo para medicina,”você precisa saber mais sobre a profissão” (sobre a profissão eu sei muito,garanto,só não sei passar no vestibular,ainda).Depois leio um pouco sobre Relações Internacionais,faço um teste e advinha: Sinal amarelo.Vocês sabem do que eu preciso saber.Por último faço o teste para ver se levo jeito para Direito e guess what: “O que você está esperando para começar o curso ? ” Ah...sei lá,ter idade,passar no vestibular,talvez.Parece estar estampado Direito na minha cara e eu até gosto,digo,gosto muito.Acontece que somos jovens decidindo o resto de nossas vidas.E pensar que eu devo escolher isto já,tendo tanta coisa para aprender sobre os meus gostos,sobre a vida,sobre mim...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Um capricho

Isso mesmo,ensaiar a fala,escrever uma cartinha cheia de cafonices para quem ama,cuidar,cuidar do cabelo,do corpo,da aparência toda,do coração.Ser decente,se interessar por alguma coisa,servir alguém e servir para algo,ser realmente bom no que quer que seja.Ser respeitado,ser agradável quando não for necessário ser desagradável.Dizer coisas belas,se esforçar.Quando o capricho ficou assim tão fora de moda ?

Pois insisto.Insisto que tu te dediques.Insisto que tu possas ocupar uma boa parte do teu tempo cuidando de algo.Vai planejar ser alguma coisa,ir para um lugar.Vai criar um novo sonho,arrumar essas tuas relações.Vai pedir desculpa,vai homenagear quem merece.

Arruma o cabelo,põe uma cor na cara,muda essa postura!Aprimora esse vocabulário,vê se ouve uma música que preste e que te faça pensar.Pensa,mas não muito.Te descomplica.Vai ouvir os simples de coração,vai ser mais simples.Mas sede sábio.Sempre.Sei que é difícil,mas pelo menos procura ser.

Vai dizer que ama e faz papel de bobo.Se tem uma coisa que eu acho lindo é isso: caprichar.Mas inventaram que tudo é natural ou deve parecer natural.Que devemos mostrar que tanto faz,que as coisas estão pré determinadas,e que se tu não levas jeito para aquilo,fazer o quê ?

Mas por favor,manda umas flores,dá umas ligações,sede romântico e mostra que te importas.Pelo amor,mostra que te importas,que fazes questão.Te liberta dessas coisas que te causam angústia,que te endurecem o coração.Refaz os sentimentos,corre atrás,reage.E desiste daqueles que não se importam contigo,te livra daquilo que nada de bom te acrescenta.Abandona a amargura e o cansaço.

Sede elegante sem ser esnobe,sede doutor em algo.Certas coisas simplesmente não estão certas do jeito em que estão.Don't you know that only fools are satisfied ? Por isso arruma a vida,aprimora e capricha,para deixá-la no mínimo mais atraente.

Como já disse para as meninas,2011 foi um ano bem chatinho,apesar das viagens maravilhosas,do quanto que eu aprendi,das pessoas que conheci e da festa surpresa inesquecível que eu tive lá na escola.Realmente espero que 2012 o supere.Desejo menos pressa e menos perda de tempo.Desejo progresso nessa minha mentalidade.Desejo menos se ofender facilmente e mais tentar impressionar.Desejo zelar por quem amo e desejo desesperadamente que eu tenha mais paciência .Resumindo,tudo que eu espero pra esse novo ano se está aqui :

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Professores

O que torna uma aula mais interessante é o momento em que o professor se empolga.Sério.Dá prazer ver o sujeito ofegando de tanta felicidade em ensinar um assunto,e principalmente quando eu percebo que a aula foi preparada.Sei que não fácil ensinar a mesma coisa para um monte de salas durante tantos anos,sei que é cansativo,estressante e desgastante,mas há professores que conseguem transformar essa tarefa em algo menos insuportável - tanto para o aluno,quanto para o próprio professor.

Meu professor de química fica com o prêmio de ter a aula mais interessante de todas.Acho que se alguém da minha sala lesse isso ia querer me matar.A aula não é animada,o professor é o mais distante e imparcial que eu já tive,mas deve-se admitir que ele consegue dar aulas sem aquelas distrações costumeiras,que tiram a atenção de todos e quebra raciocínios importantíssimos.Se fosse possível evitaria até piscar,porque tudo que ele fala é importante.Não há nenhuma relação entre ele e os alunos - terminou o ano e ele não sabe o nome de ninguém da minha turma - mas é sem dúvida a aula mais produtiva de todas,a mais bem preparada e a mais bem ensinada.Dava pra ver o quanto ele ama química,mas tudo transmitido no seu jeito impessoal.

Meu professor de geometria é o mais fofo de todos.Se há uma coisa que eu admiro em alguém é saber conciliar o lado racional e o emocional,e esse meu professor faz isso muito bem.Além de dominar geometria e exatas,ele é cantor e todo envolvido nesse mundo de música clássica.Já fez uns discursos que me tocaram profundamente e a prova mais difícil que eu já fiz na vida - é - E poucos professores conseguem se empolgar tanto quanto ele pra ensinar,ele é um pouco gago e tem uns tiques,é engraçado.Na maior parte do tempo a turma não o respeita,mas eu gosto muito de ver o quanto ele está satisfeito com o trabalho e principalmente ver o prazer que ele tem em dar aulas e o seu esforço em se adaptar à nova escola e fazer tudo certinho.

Minha professora de literatura é outra que me satisfaz quando vejo dando aula.Fica bem claro o quanto ela é apaixonada pelo que ensina e o quanto sabe sobre isso.Erudita,essa é a palavra para descrevê-la,tem o vocabulário mais vasto,antigo e refinado que de qualquer bom escritor de um milhão de séculos atrás.O tipo de pessoa que só trata os alunos por senhor ou senhorita.Tem as melhores anotações e as melhores aulas.Sabe muito.

Meu professor de matemática consegue transformar essa droga de matéria em algo mais tolerável,evoluiu muito os meus cálculos,simplificou principalmente.Adora nos mostrar o quanto ele é ignorante no que diz respeito às artes e aos sentimentos femininos.É divertida a aula dele.Minha professora de gramática me acrescentou muito mais no que diz respeito ao meu lado espiritual,foram preciosas suas orações e seus discursos,mudou muito minha visão.Na área da gramática revisamos basicamente o que vimos na 6ª,7ª e 8ª série,e como eu tive uma professora excelente nesses anos,gramática é apenas um passatempo.

Meu professor de biologia consegue dar uma aula tão interessante quanto a matéria,é a aula em que a turma presta mais atenção.Meu professor de história consegue deixar essa matéria maravilhosa ainda mais encantadora.Minha professora de espanhol é uma peruana engraçadinha,a turma inteira se muda pro fundo da sala no horário dela,mas eu permaneço na minha segunda carteira por respeito apenas.Adoro o sotaque dela,pra ser sincera.

São dezessete matérias,mas não dezessete professores que merecem ser lembrados (que cruel).O de física só consegue dizer que somos casos perdidos,que não estudamos,que vamos reprovar,que somos uns malas e inúteis,resumindo.Nada contra artes,filosofia,geografia,inglês e mais um bilhão de outras matérias.É só que se o professor não acrescentar nada ao que ensina,a aula vai continuar sendo o que ela realmente é: chata.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Os outros

" Always let your conscience be your guide !"

Nomalmente quando usamos o termo "os outros" estamos inseridos num quadro de hipocrisia: " o que os outros vão pensar,falar,fazer.Como os outros se comportam,se vestem,como são".Temos uma noção bem clara do poder desse termo sobre nós ,e eu não duvido muito que este seja um dos maiores inimigos da alma,e claro,da essência,subjetividade.Resolvi citar um trecho de Olhai os lírios do campo,que eu ainda não terminei de ler,mas já me encantei com o livro (Erico Veríssimo tem esse poder),e uma passagem da bíblia,de onde ele provavelmente se inspirou.

"Mas se soubesses o que foi a minha vida.Rapaz pobre,João-ninguém,sempe humilhado,na luta danada pelo dinheiro... Antigamente o meu ídolo,o meu modelo,era o doutor Seixas.eu achava que devia ser grandioso a gente se entregar aos pobres,viver pra eles,não desejar nada além da caridade.- Largou o diploma num gesto dramático,deixando-o rolar escada abaixo.Olívia sorriu sem malícia.-Mas acontece que eu odeio a pobreza,odeio o anonimato.Quero ser alguém,ter um nome,ser repeitado,viver..."

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"E quanto ao vestuário,por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo,como eles crescem;não trabalham nem fiam (...) Pois,se Deus veste assim a erva do campo,que hoje existe e amanhã é lançada ao forno,não vos vestirais muito mais a vós,homens de pouca fé?"

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E é bem verdade que o ser humano necessita,mais do que nunca,de uma experiência autêntica em sua vida.Porque todos querem o maldito carro,a maldita casa,a maldita roupa de marca,que são expressões de nossa insegurança e covardia.Então é pra isso que pelejamos a vida toda,para depois da conquista viver uma vida de amostras,exibições? Eu quero prosperar o suficiente para não precisar de nada disso.Não condeno a ambição - pelo contrário,incompetência e preguiça me aborrecem muito,espero não ser mal interpretada- mas a ambição desmedida,que se vale de todos os meios e para todos os fins (mesmo aqueles mais bobos) é o grande pecado moderno.E é aqui que a consciência entra,enquanto muitos são guiados pelos "outros",outros buscam um caminho mais confiável para seguir.

sábado, 1 de outubro de 2011

Você sente ?


Estou convencida de que por algumas razões como signo,inquietude mental,profundidade,sempre vou sentir mais do que os outros.Sempre me contentei em saber que as pessoas não sentiriam na mesma intensidade que eu,não se importariam do mesmo modo como eu me importo,não dariam valor às coisas na mesma proporção que eu dou e provavelmente esqueceriam algumas palavras que chegaram a me ofender,mas que eu,com toda a certeza e lastimavelmente,as guardaria como forma de aviso,carregaria por um longo tempo essas tristes lembranças.

E quando eu me tornava quase indiferente diante da indiferença dos outros,eis que me abismo com uma reação de extrema frieza,partindo,a razão da minha surpresa,de alguém que eu considerava um ser "sentinte".Tive a infeliz ideia de comentar que meu avô estava "repousando eternamente" e depois de muitos "por que tu vieste para a escola?", "quantos anos ele tinha?" e "qual a causa? eu escuto um "mas tu nem pareces triste! "

Enquanto eu sentia demais e os outros de menos eu implorava para mim mesma para ser normal,para não acordar com grandes expectativas - hoje vai ser só mais um dia - uma das poucas pessoas,além de mim,que parecia ir contra tudo isso,era a diretora da minha escola,sempre que via os alunos,soltava rispidamente: "Vocês estão todos frios e indiferentes".Não sei se é um comportamento forçado adolescente ou forçado e moderno,só sei que nesse fingimento de que tudo é normal e que ninguém sente nada e por nada,houve uma dissolução do que é verdadeiro,e o fingimento se fundiu com a realidade e a maioria,de fato,não sente mais.Não sei também se há solução para isso.

A verdade é que assisti à uma palestra muito interessante,que fora as outras coisas muito sábias ditas pelo palestrante,ele fez uma citação muito bonita e inesquecível para mim,é claro: "não vos
conformeis,mas transformai-vos".E então coloquei na minha cabeça que não,eu não estou errada,não é normal ser indiferente,até porque dificilmente eu conseguiria ser assim.Ao término da palestra me surpreendi ao saber que teve gente que até chorou ouvindo as coisas que haviam sido ditas,se emocionaram - não sei se mais do que eu - mas sentiram.Então,diga-me que você sente,para eu poder acreditar que posso estar errada,eu espero estar errada.