segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Aprendizes

Como não canso de querer, resolvi dar aulas de inglês, para tentar arrecadar algum dinheiro para um possível intercâmbio no começo do ano passado. O destino era Inglaterra e os alunos seriam os amigos do meu irmão, pestes que com certeza necessitavam de auxílio com a matéria .Acertei com eles e fiz a um preço muitíssimo bom,porque apesar de que as mães dos meus alunos sejam conhecidas e mostrem algum respeito por mim,é difícil dar tanta moral para um pirralha como eu.Enfim,assim sucedeu: eram oito alunos no total,aulas aos domingos (por preferência deles),aqui em casa.

No começo,tudo eram rosas.Eu realmente me animava por dar aulas e eles gostavam,se regozijavam por estar juntos e por responder às minhas perguntas.Mas como já se é bem sabido,crianças não fáceis.Na minha posição de teacher (rs),gostava de ficar analisando um por um,traçando perfis.E assim era,tinha a sabe-tudo,não que ela soubesse muito de inglês,mas era a mais aplicada e com uma memória invejável,que estava sempre batendo palminhas pelos seus acertos e se orgulhando dela mesma.Ela também gostava de me irritar querendo ser tão certinha a ponto de perguntar num dos meus momentos de estresse: “ Teacher,por que você está ficando tão vermelha ?” Advinha só o porquê.

Mas o que mais me cansava eram os meninos,para variar.Estavam sempre brincando,falando alto e impacientes ,querendo que a aula acabasse para que fossem jogar bola.E o meu irmão,que belo exemplo,fazia o favor de ser o mais perturbador de todos.Se eu pedia para que cada um repetisse uma palavra na sua devida vez,ele falava junto com outro aluno,para que quando chegasse a vez dele ele pudesse falar : Mas eu já “reapiti” .Estava sempre a bagunçar a mesa,a falar alto (chego a desconfiar que ele carrega um microfone dentro de si) e era o terror das meninas,morriam de medo de errar a pronúncia porque ele iria zombar.Amo muito ele,mas receio que ele vá se tornar um valetão,desses que tocam o terror.Porque é um bruto,o meu irmãozinho.

E tinha uma aluna muito fofinha,a que mais tinha medo do meu irmão.Ela nunca queria pronunciar nenhuma palavra e quando eu dirigia a palavra a ela,fingia que não ouvia.Era engraçado porque ela passava o tempo todo desejando que a aula acabasse,mas sempre me perguntava se não iria ter homework,quando seria a próxima prova e foi a primeira a me pedir para ter aulas nas férias.

São muitos alunos,para mim pelo menos.Enquanto eu esperava que os pais deles dissessem para a minha mãe algo do tipo: “Sua filha é excelente,porque não a manda agora para a Inglaterra ?”O que eles diziam de verdade era: “ O bom é que ela aprende também” Ahh... E ainda por cima esses alunos inventavam de faltar,todos juntos,depois de eu ter preparado a aula.

O que se passa é que me sinto como eles,meus alunos.Às vezes fico a pensar que eles ainda vão ter que aprender muita coisa para saberem o básico.Eles ainda vão perceber que não sabiam nada,mas que só tempo e prática ensinam.Sinto que sei muito pouco.Sinto que isso aqui é menos que o começo.Sinto que eu não entendo o que os outros falam.Sinto que preciso decidir o que fazer dessa vida,que rumo tomar - que curso escolher – Não saber o que fazer me aflinge e muito.

Me ocupei nessas férias pesquisando profissões,ou aquelas que me agradam.Aprendi muito pouco.O que me acrescentaram foi que devo seguir a área biológica,segundo um teste,sendo que depois de fazer um outro teste descubro que meu resultado foi sinal amarelo para medicina,”você precisa saber mais sobre a profissão” (sobre a profissão eu sei muito,garanto,só não sei passar no vestibular,ainda).Depois leio um pouco sobre Relações Internacionais,faço um teste e advinha: Sinal amarelo.Vocês sabem do que eu preciso saber.Por último faço o teste para ver se levo jeito para Direito e guess what: “O que você está esperando para começar o curso ? ” Ah...sei lá,ter idade,passar no vestibular,talvez.Parece estar estampado Direito na minha cara e eu até gosto,digo,gosto muito.Acontece que somos jovens decidindo o resto de nossas vidas.E pensar que eu devo escolher isto já,tendo tanta coisa para aprender sobre os meus gostos,sobre a vida,sobre mim...

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Um capricho

Isso mesmo,ensaiar a fala,escrever uma cartinha cheia de cafonices para quem ama,cuidar,cuidar do cabelo,do corpo,da aparência toda,do coração.Ser decente,se interessar por alguma coisa,servir alguém e servir para algo,ser realmente bom no que quer que seja.Ser respeitado,ser agradável quando não for necessário ser desagradável.Dizer coisas belas,se esforçar.Quando o capricho ficou assim tão fora de moda ?

Pois insisto.Insisto que tu te dediques.Insisto que tu possas ocupar uma boa parte do teu tempo cuidando de algo.Vai planejar ser alguma coisa,ir para um lugar.Vai criar um novo sonho,arrumar essas tuas relações.Vai pedir desculpa,vai homenagear quem merece.

Arruma o cabelo,põe uma cor na cara,muda essa postura!Aprimora esse vocabulário,vê se ouve uma música que preste e que te faça pensar.Pensa,mas não muito.Te descomplica.Vai ouvir os simples de coração,vai ser mais simples.Mas sede sábio.Sempre.Sei que é difícil,mas pelo menos procura ser.

Vai dizer que ama e faz papel de bobo.Se tem uma coisa que eu acho lindo é isso: caprichar.Mas inventaram que tudo é natural ou deve parecer natural.Que devemos mostrar que tanto faz,que as coisas estão pré determinadas,e que se tu não levas jeito para aquilo,fazer o quê ?

Mas por favor,manda umas flores,dá umas ligações,sede romântico e mostra que te importas.Pelo amor,mostra que te importas,que fazes questão.Te liberta dessas coisas que te causam angústia,que te endurecem o coração.Refaz os sentimentos,corre atrás,reage.E desiste daqueles que não se importam contigo,te livra daquilo que nada de bom te acrescenta.Abandona a amargura e o cansaço.

Sede elegante sem ser esnobe,sede doutor em algo.Certas coisas simplesmente não estão certas do jeito em que estão.Don't you know that only fools are satisfied ? Por isso arruma a vida,aprimora e capricha,para deixá-la no mínimo mais atraente.

Como já disse para as meninas,2011 foi um ano bem chatinho,apesar das viagens maravilhosas,do quanto que eu aprendi,das pessoas que conheci e da festa surpresa inesquecível que eu tive lá na escola.Realmente espero que 2012 o supere.Desejo menos pressa e menos perda de tempo.Desejo progresso nessa minha mentalidade.Desejo menos se ofender facilmente e mais tentar impressionar.Desejo zelar por quem amo e desejo desesperadamente que eu tenha mais paciência .Resumindo,tudo que eu espero pra esse novo ano se está aqui :

Eu vejo um novo começo de era
De gente fina, elegante e sincera
Com habilidade pra dizer mais sim do que não

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Professores

O que torna uma aula mais interessante é o momento em que o professor se empolga.Sério.Dá prazer ver o sujeito ofegando de tanta felicidade em ensinar um assunto,e principalmente quando eu percebo que a aula foi preparada.Sei que não fácil ensinar a mesma coisa para um monte de salas durante tantos anos,sei que é cansativo,estressante e desgastante,mas há professores que conseguem transformar essa tarefa em algo menos insuportável - tanto para o aluno,quanto para o próprio professor.

Meu professor de química fica com o prêmio de ter a aula mais interessante de todas.Acho que se alguém da minha sala lesse isso ia querer me matar.A aula não é animada,o professor é o mais distante e imparcial que eu já tive,mas deve-se admitir que ele consegue dar aulas sem aquelas distrações costumeiras,que tiram a atenção de todos e quebra raciocínios importantíssimos.Se fosse possível evitaria até piscar,porque tudo que ele fala é importante.Não há nenhuma relação entre ele e os alunos - terminou o ano e ele não sabe o nome de ninguém da minha turma - mas é sem dúvida a aula mais produtiva de todas,a mais bem preparada e a mais bem ensinada.Dava pra ver o quanto ele ama química,mas tudo transmitido no seu jeito impessoal.

Meu professor de geometria é o mais fofo de todos.Se há uma coisa que eu admiro em alguém é saber conciliar o lado racional e o emocional,e esse meu professor faz isso muito bem.Além de dominar geometria e exatas,ele é cantor e todo envolvido nesse mundo de música clássica.Já fez uns discursos que me tocaram profundamente e a prova mais difícil que eu já fiz na vida - é - E poucos professores conseguem se empolgar tanto quanto ele pra ensinar,ele é um pouco gago e tem uns tiques,é engraçado.Na maior parte do tempo a turma não o respeita,mas eu gosto muito de ver o quanto ele está satisfeito com o trabalho e principalmente ver o prazer que ele tem em dar aulas e o seu esforço em se adaptar à nova escola e fazer tudo certinho.

Minha professora de literatura é outra que me satisfaz quando vejo dando aula.Fica bem claro o quanto ela é apaixonada pelo que ensina e o quanto sabe sobre isso.Erudita,essa é a palavra para descrevê-la,tem o vocabulário mais vasto,antigo e refinado que de qualquer bom escritor de um milhão de séculos atrás.O tipo de pessoa que só trata os alunos por senhor ou senhorita.Tem as melhores anotações e as melhores aulas.Sabe muito.

Meu professor de matemática consegue transformar essa droga de matéria em algo mais tolerável,evoluiu muito os meus cálculos,simplificou principalmente.Adora nos mostrar o quanto ele é ignorante no que diz respeito às artes e aos sentimentos femininos.É divertida a aula dele.Minha professora de gramática me acrescentou muito mais no que diz respeito ao meu lado espiritual,foram preciosas suas orações e seus discursos,mudou muito minha visão.Na área da gramática revisamos basicamente o que vimos na 6ª,7ª e 8ª série,e como eu tive uma professora excelente nesses anos,gramática é apenas um passatempo.

Meu professor de biologia consegue dar uma aula tão interessante quanto a matéria,é a aula em que a turma presta mais atenção.Meu professor de história consegue deixar essa matéria maravilhosa ainda mais encantadora.Minha professora de espanhol é uma peruana engraçadinha,a turma inteira se muda pro fundo da sala no horário dela,mas eu permaneço na minha segunda carteira por respeito apenas.Adoro o sotaque dela,pra ser sincera.

São dezessete matérias,mas não dezessete professores que merecem ser lembrados (que cruel).O de física só consegue dizer que somos casos perdidos,que não estudamos,que vamos reprovar,que somos uns malas e inúteis,resumindo.Nada contra artes,filosofia,geografia,inglês e mais um bilhão de outras matérias.É só que se o professor não acrescentar nada ao que ensina,a aula vai continuar sendo o que ela realmente é: chata.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Os outros

" Always let your conscience be your guide !"

Nomalmente quando usamos o termo "os outros" estamos inseridos num quadro de hipocrisia: " o que os outros vão pensar,falar,fazer.Como os outros se comportam,se vestem,como são".Temos uma noção bem clara do poder desse termo sobre nós ,e eu não duvido muito que este seja um dos maiores inimigos da alma,e claro,da essência,subjetividade.Resolvi citar um trecho de Olhai os lírios do campo,que eu ainda não terminei de ler,mas já me encantei com o livro (Erico Veríssimo tem esse poder),e uma passagem da bíblia,de onde ele provavelmente se inspirou.

"Mas se soubesses o que foi a minha vida.Rapaz pobre,João-ninguém,sempe humilhado,na luta danada pelo dinheiro... Antigamente o meu ídolo,o meu modelo,era o doutor Seixas.eu achava que devia ser grandioso a gente se entregar aos pobres,viver pra eles,não desejar nada além da caridade.- Largou o diploma num gesto dramático,deixando-o rolar escada abaixo.Olívia sorriu sem malícia.-Mas acontece que eu odeio a pobreza,odeio o anonimato.Quero ser alguém,ter um nome,ser repeitado,viver..."

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"E quanto ao vestuário,por que andais solícitos? Olhai para os lírios do campo,como eles crescem;não trabalham nem fiam (...) Pois,se Deus veste assim a erva do campo,que hoje existe e amanhã é lançada ao forno,não vos vestirais muito mais a vós,homens de pouca fé?"

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E é bem verdade que o ser humano necessita,mais do que nunca,de uma experiência autêntica em sua vida.Porque todos querem o maldito carro,a maldita casa,a maldita roupa de marca,que são expressões de nossa insegurança e covardia.Então é pra isso que pelejamos a vida toda,para depois da conquista viver uma vida de amostras,exibições? Eu quero prosperar o suficiente para não precisar de nada disso.Não condeno a ambição - pelo contrário,incompetência e preguiça me aborrecem muito,espero não ser mal interpretada- mas a ambição desmedida,que se vale de todos os meios e para todos os fins (mesmo aqueles mais bobos) é o grande pecado moderno.E é aqui que a consciência entra,enquanto muitos são guiados pelos "outros",outros buscam um caminho mais confiável para seguir.

sábado, 1 de outubro de 2011

Você sente ?


Estou convencida de que por algumas razões como signo,inquietude mental,profundidade,sempre vou sentir mais do que os outros.Sempre me contentei em saber que as pessoas não sentiriam na mesma intensidade que eu,não se importariam do mesmo modo como eu me importo,não dariam valor às coisas na mesma proporção que eu dou e provavelmente esqueceriam algumas palavras que chegaram a me ofender,mas que eu,com toda a certeza e lastimavelmente,as guardaria como forma de aviso,carregaria por um longo tempo essas tristes lembranças.

E quando eu me tornava quase indiferente diante da indiferença dos outros,eis que me abismo com uma reação de extrema frieza,partindo,a razão da minha surpresa,de alguém que eu considerava um ser "sentinte".Tive a infeliz ideia de comentar que meu avô estava "repousando eternamente" e depois de muitos "por que tu vieste para a escola?", "quantos anos ele tinha?" e "qual a causa? eu escuto um "mas tu nem pareces triste! "

Enquanto eu sentia demais e os outros de menos eu implorava para mim mesma para ser normal,para não acordar com grandes expectativas - hoje vai ser só mais um dia - uma das poucas pessoas,além de mim,que parecia ir contra tudo isso,era a diretora da minha escola,sempre que via os alunos,soltava rispidamente: "Vocês estão todos frios e indiferentes".Não sei se é um comportamento forçado adolescente ou forçado e moderno,só sei que nesse fingimento de que tudo é normal e que ninguém sente nada e por nada,houve uma dissolução do que é verdadeiro,e o fingimento se fundiu com a realidade e a maioria,de fato,não sente mais.Não sei também se há solução para isso.

A verdade é que assisti à uma palestra muito interessante,que fora as outras coisas muito sábias ditas pelo palestrante,ele fez uma citação muito bonita e inesquecível para mim,é claro: "não vos
conformeis,mas transformai-vos".E então coloquei na minha cabeça que não,eu não estou errada,não é normal ser indiferente,até porque dificilmente eu conseguiria ser assim.Ao término da palestra me surpreendi ao saber que teve gente que até chorou ouvindo as coisas que haviam sido ditas,se emocionaram - não sei se mais do que eu - mas sentiram.Então,diga-me que você sente,para eu poder acreditar que posso estar errada,eu espero estar errada.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pra não dizer que eu não falei das flores

Esse é só o primeiro mês de provas e eu já me sinto esgotada,sem paciência para nada,sem tempo para nada e sem interesse por nada.A escola desabou sobre a minha cabeça com toda sua realidade ,e eu sinceramente não consigo parar de me questionar se eu estou mesmo no caminho certo,se,de fato,vale a pena todo esse esforço.A verdade é que com esse "novo sistema de ensino" o que prevalece é dúvida,e enquanto me dedico loucamente a provas que vão contra esse novo ritmo educacional,não consigo parar de pensar em como as coisas já foram mais fáceis.

Quanta falta sinto de aprender física um dia antes da prova,de estudar somente o que me interessava e me aprofundar de verdade naquilo que eu gostava (horas fazendo análises sintáticas minuciosas e devorando meu livro de história já foram um dos meus melhores passatempos), de não me importar tanto com as outras matérias e ainda assim me sair bem em todas elas (tempos bons estes em que eu fazia competição de que mês eu tirava mais dez),de passar a maior parte da semana jogando vôlei e de quando minha maior preocupação era paz mundial,meio ambiente e que conselhos dar às minhas amigas.

É muito difícil me concentrar nos estudos enquanto aquele porta-retrato maravilhoso em formato do castelo da cinderela mostra pra mim que há um vida bem melhor me esperando.Mas,lembre-se,Laís,ou você estuda,ou....você estuda.Acordar,tomar café bem rápido,estudar, ir pra escola,estudar,chegar em casa,fazer tudo rápido pra estudar,DORMIR (hora mais esperada do dia).Minha mais constante pergunta é "por que tamanha judiação?"

Não,Laís,se concentra,presta atenção no gráfico daquela função modular,que interessante ! Controla esse sorriso,esquece aquela época e para de pensar no quanto era bom postar três vezes por semana (que afinal de contas era meu único compromisso),passar a aula inteira de robótica conversando,assuntos interessantes,veja bem,porque ninguém do seu grupo sabia programar um robô direito mesmo... Jurar que se tornaria médica,neurologista,junto com suas amigas cardiologistas e anestesistas que frequentavam feiras de anatomia.

Por que eu já me sinto tão velha com quinze anos de idade ? A não ser pela parte da independência e da carteira de motorista,crescer,ao contrário do que eu pensava,está sendo bem mais difícil que o esperado.Não sei se eu dou conta.Eu só queria uma garantia de que vai ter retorno abrir mão dos poucos momentos em família para me preparar para as provas do próximo mês,eu só queria ter a certeza de que estou no caminho certo.

E então quando eu começo a reclamar incessantemente dessa vida de cão de estudante,paro e lembro que estou sendo um tanto injusta,tento me convencer de que já tive dias bem melhores e divertidos e que,não sei quando,eles retornarão.Assim como sinto um estresse intenso enquanto estudo para matemática (uma vez já rasguei a folha do livro por não acertar uma questão e escrevi: "dai-me paciência"),sentirei uma felicidade ainda mais intensa quando esses dias melhores chegarem.É o meu futuro,que quando eu finalmente conquistá-lo,vou poder descasar em paz.


Minha Terra do Nunca <3

terça-feira, 26 de julho de 2011

O homem e mundo universal

Leio todos os dias essa frase de Maria Montessori pelas rampas da minha escola.É muito bonita e especialmente tocante agora que estou mais cosmopolita do que nunca.Ainda sob efeito de encanto da Disney,decidi que tenho de,desesperadamente,conhecer esse mundo e todos os povos,línguas,danças,costumes,opiniões e almas que o compõe.

Uma vez,durante o show do forfun,o vocalista disse:"acho maior bobeira esse lance de eu sou brasileiro com muito orgulho,com muito amor.Eu sou do mundo inteiro,eu sou de todo o cosmo".Não dei importância na hora,assim como também não esqueci,já que me identificava.Às vezes percorro todos os continentes estudando geografia e percebendo que essas divisões e esse orgulho nos limitam ao nosso bairro nobre,a nossa cidade desenvolvida,a nossa região metropolitana,ao nosso país rico,ao nosso continente com vizinhos parecidos com nós.Por que me restringir a um lugar ou região se tenho um globo inteiro de opções ?

O melhor de viajar é isso: poder experimentar e se deslumbrar com coisas novas.Conhecer do centro ao subúrbio e voltar para casa desejando conhecer ainda mais.O mais engraçado nessa minha viagem foi que a excursão em que eu estava começou a provocar outra excursão de argentinos,aquelas briguinhas manjadas entre argentinos e brasileiros.Brasileiros dizendo que moram num país abençoado por Deus,mas que,na hora de voltar para casa,ninguém quer ir.

Antes de dar essa tão sonhada volta ao mundo,pretendo convencer minha mãe que mereço fazer um intercâmbio de pelo menos um mês.Não queria passar por filha mimada que acha que pode ir pro exterior todas as férias,mas estou me esforçando.Comecei a dar aulas particulares de inglês desde o começo do ano (é certo que ganho pouquíssimo e nem em 20 anos conseguiria pagar meu intercâmbio sozinha) e estou me aprofundando com livros e jornais da língua.

Frequentemente canso desse país,ou acho que precisaria passar um tempinho longe dele,mas perto daqueles que amo.Enquanto todos achavam o Epcot um dos parques mais chatos da Disney,eu ansiava por ele mais que por todos os outros.É conhecido como o parque do futuro e nele tem os pavilhões de vários países.Me maravilhei entrando num globo e vendo toda a evolução da comunicação,passando pela idade da pedra,os antigos gregos,Gutemberg e tendo a melhor aula de história de toda minha vida;dando uma volta pela China,México,sentido os aromas dos perfumes da França e assistindo um incrível show de um cover dos Rolling Stones na Inglaterra.

E o que torna mais importante esse universalismo o homem ainda não aprendeu: o respeito.Na ausência dele o homem vai criando sub raças numa raça única.Sem ele não há tolerância a diferenças e muito menos convivência ou adequação num lugar novo,com gente nova.Se todos encarassem que pertencem ao mundo e a todas as coisas que fazem parte dele,o homem seria do todo e o universo seria de fato universal.

P.S.: a foto é de Maria Montessori,a mesma que olho na rampa da minha escola,mas imaginando estar bem longe dali.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Para sempre jovem


Não costumo concordar quando dizem que o tempo está passando rápido,geralmente agradeço já que estou sempre à espera de algo - viagem nas férias,evento no próximo mês,sair da escola- quanto mais próximo do futuro,melhor.Mas então,os mais velhos me atormentam com suas constatações sobre o envelhecimento e exaltação da juventude (a mocidade só ocorre uma vez,como disse Oscar Wilde).As preocupações dos mais velhos em recuperar um pouco da vida jovem nada convêm com as neuroses que eles mesmos impõem aos jovens.Nunca se estuda suficientemente,o esforço é pouco,a concorrência está sempre à frente e nesse ritmo não se chega a lugar nenhum - e assim se espera que aproveitemos o poder e a beleza da juventude.

Quase não sinto pena de Sócrates quando ele foi acusado de corromper a juventude.Há quem vai se tornar jovem só depois de passar no vestibular,há jovens que se enganam com o prazer da juventude,que não são drogas nem bebidas e há os que estão em busca desse tal prazer,desse privilégio jovial.

Mas como sinto pena destes "jovens" que se ocupam só com o trabalho,que é uma visão errada do famoso "primeiro as obrigações,depois a diversão".A verdade é que não se pode liberar demais - a nova geração é um bom exemplo daquilo que podia não dar certo e acabou dando pessimamente errado - e muito menos pressionar demais.Mas a essência da juventude talvez seja essa,resumida em extremos - ou se valoriza somente o trabalho,ou se glorifica somente os prazeres- equilíbrio para quê?

A minha juventude tem horários,dias e ocasiões.É bem cronometrada,mas o que eu queria mesmo era ser jovem para sempre,não jovem para o resto da vida - porque me agrada o sossego e serenidade dos idosos- mas inteiramente jovem enquanto sou jovem,jovem em todos os momentos da minha juventude.Como me aborrece sonhar com geometria molecular,gastar meus finais de semanas estudando e ainda assim ouvir que eu estou muito "festeira".

Mas ainda bem que existem as férias,para os jovens que,como eu,não foram exatamente jovens durante um semestre de estudos,e para os jovens que foram jovens o tempo em que deviam estar mais amadurecidos se amadurecerem (que maldade).O poder e a beleza da juventude se dão estritamente pela sua efemeridade e espontaneidade - o que se torna ambição de muitos,mas é inalcançável,pois só ocorre uma vez.

domingo, 19 de junho de 2011

Estereótipos estudantis

Já que estou de férias,sinto-me à vontade para falar mal daqueles distintos estudantes que fazem questão de deixar algo que já não é muito bom - aula - numa coisa muito,muito pior.Sim,refiro-me aos alunos que em plena explicação interrompem o raciocínio do professor e de toda a sala para pedir para ir ao banheiro,aqueles alunos que têm dúvida sobre um assunto que o professor tinha explicado dois segundos atrás,os digníssimos que perguntam se a prova está fácil de cinco em cinco minutos e os abomináveis "sabem tudo de nada" que teimam em dizer que o professor está errado.Esses "estereótipos estudantis" são os responsáveis pela bagunça da sala,da desmoralização do professor e,sobretudo,pela improdutividade do que era para ser um longo dia de aprendizado.

Poucas coisas conseguem me deixar tão frustrada como quando o professor está lá,explicando um assunto novo,nós alunos tentando entender tal coisa desconhecida e de repente uma mão levanta,todos ansiosos por uma pergunta muito bem elaborada,que ninguém havia pensado...então eis que surge o famoso "ei,professor,posso ir no banheiro ?"

Tem também os notáveis estudantes que resolvem acordar repentinamente no meio da aula com dúvidas que o professor já tinha esclarecido há tempos.Acontece meio que um insight e eles despertam.Tomate neles.

E a raiz de todos os males,aqueles "espertos" que insistem em diflamar o professor,desafiando-o,dizendo que o professor está errado.São a causa de longas e inúteis discussões.Se esses alunos tivessem um outro motivo que não fosse a zombaria,discutiriam com o professor em particular,ou mudariam o tom da voz,que cá entre nós já denuncia a verdadeira finalidade dessa discussão.

Livre desses alunos,a escola passa a render mais,os professores não perdem a paciência facilmente e o nível das aulas cresce consideravelmente - tendo debates construtivos e coerentes.